Família exige apuração detalhada sobre morte de estudante em acampamento
Seis meses após a trágica morte do adolescente Eduardo Fukumasu Dias durante uma viagem de formatura, sua família continua em busca de respostas em Ribeirão Preto, São Paulo. O jovem de 14 anos passou mal em um acampamento em Sapucaí-Mirim, Minas Gerais, e faleceu dias depois, deixando uma comunidade inteira em luto e questionamentos sem solução.
Laudo médico aponta coagulação intravascular disseminada
O laudo médico realizado em setembro de 2025 determinou que a causa da morte foi coagulação intravascular disseminada, uma condição grave em que coágulos sanguíneos excessivos prejudicam a circulação por todo o corpo. No entanto, conforme explica a psicóloga Vivian Fukumasu da Cunha, tia de Eduardo, esse diagnóstico não esclarece o que desencadeou o quadro clínico.
"Os laudos não dizem para a gente o que levou a essa coagulação, se houve alguma coisa externa a ele ou interna dele que pudesse ter provocado tudo isso", afirma Vivian. "No hospital, na UTI, os médicos eram taxativos em dizer que alguma coisa recente aconteceu com ele."
Cronologia dos eventos e atendimento médico
Eduardo viajou com sua turma do 9º ano para o acampamento em 10 de setembro do ano passado. No primeiro dia da viagem, o estudante começou a apresentar mal-estar, ânsia de vômito, dores de cabeça e desorientação. A escola informou que ele não quis retornar a Ribeirão Preto, mas sua mãe foi avisada sobre a situação.
O adolescente foi inicialmente atendido em um hospital em São Bento do Sapucaí, onde recebeu soro, mas seu estado não melhorou. Sua mãe viajou até Minas Gerais e o encaminhou para um hospital particular em Ribeirão Preto. Eduardo chegou inconsciente, precisando ser intubado e submetido a sessões de diálise.
Os médicos realizaram uma série de exames para descartar doenças graves como meningite, AVC ou derrame, mas nenhuma hipótese foi confirmada. "Os médicos reviraram o Dudu de ponta cabeça, eles acreditavam que era uma intoxicação exógena", relata Vivian. Eduardo permaneceu internado até falecer em 15 de setembro.
Investigação policial e novas diligências
O caso está sendo investigado como morte suspeita pela Polícia Civil. A família, representada pela advogada Jéssica Nozé, solicitou novos exames e diligências para esclarecer as circunstâncias. Uma das possibilidades consideradas é a intoxicação exógena, causada por um agente externo como picada de animais ou alimento contaminado.
"Alguns pontos que causam estranheza é que no exame necroscópico dele consta a possibilidade de uma intoxicação exógena", explica a advogada. "Para além disso, nós temos o cenário que ele não tinha nenhuma doença pré-existente ou algo que levasse a uma condição sensibilizada de saúde."
O Ministério Público já se manifestou favorável às novas investigações, mas o inquérito policial ainda não foi concluído.
Outros estudantes apresentaram sintomas similares
Segundo relatos da família, no mesmo dia em que Eduardo passou mal, mais dois alunos apresentaram sintomas e foram atendidos na enfermaria do acampamento. Um deles reclamou de dor de cabeça. Por essa razão, a defesa da família solicitou o relatório completo de atendimentos da enfermaria entre 10 e 15 de setembro.
Até o momento, apenas uma folha com rasuras foi enviada pelos responsáveis pelo acampamento. A família também pediu informações à escola sobre:
- Qual professor era responsável pelo quarto do adolescente
- Se havia bagunça ou briga no local
- Qual medicamento, alimento ou bebida foi comprado na farmácia no dia do mal-estar
- Quem realizou a compra
A EPTV, afiliada da TV Globo, não conseguiu localizar os responsáveis pelo acampamento para comentar o caso até a última atualização desta reportagem.



