Famílias de crianças com TEA denunciam estupro e agressão em clínica de Maceió
Estupro e agressão a crianças com TEA em clínica de Maceió

Famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista denunciam casos de estupro e agressão em clínica terapêutica

Uma situação de extrema gravidade está sendo investigada em Maceió, onde famílias de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciam violência sexual e agressões durante atendimentos terapêuticos. O caso mais recente envolve uma menina de seis anos, autista nível dois, epilética refratária e com retardo moderado, que teria sido abusada em uma clínica no bairro da Gruta de Lourdes.

Desespero materno e mudanças comportamentais alarmantes

A mãe da criança relatou profundo desespero após suspeitar do abuso. "Eu não tenho vontade de comer, de dormir. Choro, fico parada no tempo. Eu estou fora de mim. Eu perdi o chão. Meu dever é proteger e eu não consegui", desabafou em entrevista à TV Asa Branca Alagoas. A família lutou por mais de três anos na justiça para conseguir a vaga na clínica, onde a criança faz tratamento desde 2025 com custeio municipal.

A suspeita surgiu em 23 de março, quando a mãe percebeu mudanças drásticas no comportamento da filha após uma sessão terapêutica. "Ela ficou pegando no meu rosto para beijar, pedindo muito excessivamente que queria beijar", contou a mãe, que precisou explicar à filha que beijos na boca são inadequados. Durante o banho, a criança disse "não toca, não machuca", e depois fez um gesto ainda mais preocupante: colocou saliva no dedo e tentou levá-lo à vulva.

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Relato explícito e exame de corpo de delito

Quando questionada sobre onde havia aprendido tal comportamento, a menina respondeu claramente: "mamãe, titia fez comigo". A família imediatamente procurou a polícia e registrou a denúncia. A criança foi levada à delegacia e ao Instituto Médico Legal, onde passou por exame de corpo de delito. Segundo a família, a menina reafirmou o relato com os mesmos gestos e falas durante os procedimentos.

Investigações em andamento e resposta da clínica

A delegada Talita Aquino confirmou que as investigações já foram iniciadas. Imagens do local onde a criança era atendida foram coletadas para análise, e todos os profissionais que tiveram contato ou realizaram atendimento à criança serão ouvidos. A clínica foi notificada pela advogada da família, Clayse Vieira, que interpretou a resposta da instituição como preocupante.

"A contra-resposta foi que nós levamos isso para a mídia antes de averiguar o caso, e até ameaçando com processo por causa da imagem. Então a gente não sentiu nenhum tipo de preocupação com o que é importante, que é o bem-estar dessa criança", afirmou a advogada. O nome da investigada não foi divulgado, e o g1 não conseguiu localizar a defesa para um posicionamento.

Trauma familiar e busca por justiça

A mãe da criança descreve o impacto devastador do caso na família. "Eu lutei muito por essa vaga, por essa evolução. Eu ligava todo dia na Defensoria, me dedicava. Tudo que é tipo de voto, de oração, para conseguir a melhora para os nossos filhos. E a melhora vir com um trauma desse", lamentou. A família, profundamente abalada, clama por justiça e por medidas que garantam a segurança de crianças vulneráveis em espaços terapêuticos.

O caso levanta questões urgentes sobre a proteção de crianças com necessidades especiais em instituições de saúde e a necessidade de protocolos rigorosos de segurança. As investigações continuam enquanto a comunidade aguarda respostas concretas sobre as denúncias de violência sexual contra crianças com TEA em Maceió.

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