Buscas por crianças desaparecidas no MA completam 15 dias com sonar da Marinha
Buscas por crianças no MA completam 15 dias com reforço

As buscas por Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completaram 15 dias neste domingo (18) com um reforço de alto nível tecnológico no interior do Maranhão. A Marinha do Brasil integrou-se à operação em Bacabal com um sofisticado sonar de varredura lateral para vasculhar as águas do rio Mearim, local onde os indícios apontam que as crianças podem estar.

Reforço tecnológico nas águas do Mearim

Um equipamento subaquático de última geração, conhecido como side scan sonar, chegou a Bacabal no sábado (17), vindo do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte, em Belém (PA). Na manhã de domingo, 11 militares da Marinha iniciaram os trabalhos com o aparelho, que deve permanecer na região por pelo menos dez dias.

O capitão Simões Júnior, da Capitania dos Portos do Maranhão, comparou a ação do sonar a um "raio-x" do fundo do rio. O equipamento emite feixes de ondas sonoras para os lados e gera imagens em tempo real do leito e da coluna d'água, identificando qualquer anomalia, independentemente da turbidez ou visibilidade. "A gente consegue ver a coluna d'água e o leito ali com uma imagem muito nítida, muito perfeita", explicou o oficial.

Essa tecnologia, a mesma usada nas buscas após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek em dezembro de 2024, é crucial devido aos riscos no rio Mearim. O Corpo de Bombeiros destacou que a baixa visibilidade, a presença de árvores caídas e a forte correnteza tornam o trabalho dos mergulhadores extremamente perigoso. Para aumentar a eficiência, a Marinha solicitou a redução do número de embarcações na área das buscas.

Pistas e a estratégia de busca em terra

As operações no rio foram intensificadas após o relato do primo das crianças, Anderson Kauã, de 8 anos, resgatado no dia 7 de janeiro. Ele contou aos peritos que esteve com os primos em uma construção simples à margem do rio, chamada de "casa caída".

Cães farejadores confirmaram a presença das três crianças no local abandonado, feito de barro, troncos e palha, no povoado São Raimundo. Dentro, foram encontrados um colchão, botas e um banco. Os animais ainda seguiram um rastro que descia uma ribanceira em direção ao rio Mearim.

Em terra, cerca de 500 pessoas, incluindo bombeiros, policiais, militares e voluntários, adotaram uma estratégia meticulosa. A área de busca foi dividida em 45 quadrantes de aproximadamente 90 mil metros quadrados cada, baseando-se em um triângulo formado pelo ponto de partida das crianças, o local onde roupas foram achadas e onde Anderson foi visto pela última vez.

"Estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza que as crianças não estão ali", afirmou o major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão. Até o momento, 25 quadrantes foram totalmente vistoriados. Para controle, as equipes usam um aplicativo de geolocalização que mapeia todas as rotas percorridas.

O desafio do território e as investigações

O cenário das buscas é desafiador. A bacia do rio Mearim é a maior do estado, com um vale de 98.289 km², cobrindo 84 municípios. O rio nasce em Formosa da Serra Negra e deságua no Atlântico, entre São Luís e Alcântara.

Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue com as investigações. Uma equipe multidisciplinar do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), com psicólogo e assistente social, está em Bacabal desde o dia 11 para ouvir familiares e realizar perícias psicológicas e sociais.

O desaparecimento de Ágatha e Allan completa mais de duas semanas, mantendo a comunidade de Bacabal e equipes de resgate em uma intensa e emocionante operação, que agora conta com os olhos eletrônicos da Marinha para perscrutar as profundezas do rio Mearim.