
Era questão de tempo, todo mundo sabia. A fama digital, construída sobre duas rodas e uma sucessão de manobras que faziam qualquer um segurar a respiração, finalmente encontrou o freio de mão da realidade. E ele veio na forma de algemas.
Nesta quarta-feira (28), a tela do celular trocou pelas grades da delegacia. O influenciador, conhecido por seus vídeos onde a moto virava um brinquedo perigoso, foi preso em flagrante na região de Campinas. A aventura, que rendia likes e views, rendeu agora um boletim de ocorrência.
A estratégia policial foi certeira. Os agentes da DEIV (Delegacia de Investigações Gerais de Valinhos) já estavam de olho. Montaram uma operação depois de uma enxurrada de reports nas redes sociais – porque o público, mesmo quem consome, tem um limite para a insanidade. Quando ele saiu de casa, pilotando uma Honda CB 1000R, o cerco se fechou.
O que realmente aconteceu durante a prisão?
Nada daquelas cenas de perseguição alucinante que ele mesmo adorava filmar. Foi tudo muito rápido, direto. A abordagem aconteceu num tranquilo estacionamento de um supermercado. Nada de drama. Apenas a lei funcionando.
Na hora, veio aquele discurso de sempre: “é conteúdo, é para entretenimento”. Mas a justiça, dessa vez, não comprou o argumento. Os investigadores tinham nas mãos um dossiê digital robusto, cheio de provas dos seus “stunts” perigosíssimos. E o pior: tudo cometido nas vias públicas, colocando em risco a vida de quem não tinha escolha de estar ali.
- Flagra Incontestável: A prisão foi em flagrante delito, o que fortalece ainda mais a acusação.
- Histórico Digital: Seus próprios vídeos, que ele mesmo postou, foram usados como prova material contra ele. Ironia das boas.
- Reincidência: Não era a primeira vez que ele chamava atenção por isso. Já tinha até sido alvo de notificações anteriores, que obviamente ignorou.
O delegado titular da DEIV, Fábio Augusto Alves, foi direto ao ponto: a conduta dele era um perigo público, pura e simplesmente. “Ele realizava manobras arriscadas... colocando em risco a segurança dele e principalmente de terceiros”. Disse ainda que a prisão manda um recado claro: a internet não é uma terra sem lei.
O que esperar agora? Ele responde por crime de perigo comum para a vida ou saúde de outrem. A pena? Pode chegar a meses de detenção. Uma pausa forçada para, quem sabe, repensar que tipo de legado realmente vale a pena construir.
No fim, a história que ele tanto tentou criar nas redes ganhou um capítulo que ele não escreveu. E serve de lição para uma geração que às vezes confunde audácia com irresponsabilidade. Os likes são efêmeros, mas as consequências, essas podem ser bem, bem reais.