Moradores da Mooca denunciam treinamentos da PM com tiros e explosões em área residencial
Treinamentos da PM com tiros e explosões em área residencial

Treinamentos da PM com tiros e explosões continuam em área residencial da Mooca, apesar de suspensão oficial

Moradores do bairro da Mooca, na Zona Leste de São Paulo, voltaram a denunciar nesta segunda-feira (13) a realização de treinamentos da Polícia Militar com tiros e explosões em uma área residencial densamente povoada. A situação persiste mesmo após a corporação ter afirmado publicamente que todas as atividades no local haviam sido suspensas imediatamente.

Denúncia inicial e repercussão

A primeira denúncia foi exibida pelo programa SP2 na última quinta-feira (9), revelando um centro de treinamento improvisado funcionando nas ruínas de uma antiga fábrica de bebidas, localizada na Avenida Presidente Wilson. O espaço fica ao lado da estação Juventus-Mooca, da Linha 10-Turquesa da CPTM, e a poucos metros de condomínios residenciais de grande porte.

Imagens gravadas por moradores e por um policial mostravam simulações intensas com sirenes, disparos de armas de fogo e explosões, inclusive durante o período noturno. Vizinhos relataram que os treinamentos eram frequentes, ocorrendo principalmente aos sábados, causando pânico e insegurança na comunidade.

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Após a ampla repercussão da reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) emitiu um comunicado afirmando que "o Comando do Policiamento da Capital já determinou a suspensão imediata de quaisquer atividades de treinamento no local".

Determinação não cumprida

Contudo, segundo relatos consistentes dos moradores da região, a determinação oficial não foi cumprida. Nesta segunda-feira (13), vizinhos do galpão voltaram a registrar movimentações suspeitas e atividades operacionais no espaço, indicando claramente a continuidade dos treinamentos militares.

Diante das novas evidências, a TV Globo procurou novamente a SSP, que respondeu que "vai apurar as novas denúncias" e reiterou que a orientação oficial permanece a mesma: a suspensão total das atividades no local.

Características do local e preocupações

O espaço utilizado como centro de treinamento fica em uma área urbana extremamente sensível, cercada por prédios residenciais de múltiplos andares e com circulação intensa de pedestres e veículos. A proximidade imediata com imóveis habitados é um dos principais pontos de preocupação dos moradores, que expressam medo constante e sensação de insegurança diante do uso indiscriminado de armas e explosivos na região.

O local pertence a uma antiga fábrica desativada há anos. Em 2019, a área foi adquirida por uma operadora de saúde, que tinha planos ambiciosos de construir um centro de atendimento médico, mas, até o momento, não há nenhuma obra em andamento ou sinalização de início de atividades.

Na semana passada, diante da gravidade da situação, moradores chegaram a acionar formalmente o Conselho de Segurança da Mooca em busca de providências urgentes e medidas concretas para proteger a população.

Falta de transparência

A Polícia Militar, por sua vez, não detalhou se havia autorização formal prévia para a realização dos treinamentos no local antes da suspensão anunciada. A falta de transparência sobre os procedimentos e a aparente desconsideração pelas normas de segurança pública aumentam a apreensão dos cidadãos.

A situação expõe uma grave falha na coordenação entre as determinações oficiais e a prática operacional, colocando em risco a segurança e o bem-estar de centenas de famílias que residem nas imediações do local dos treinamentos.

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