Uma família da Bahia foi retirada à força de um voo da Air France no aeroporto de Paris, após se recusar a aceitar um downgrade – o rebaixamento da classe de viagem. O incidente, que resultou em um prejuízo estimado em R$ 100 mil para os passageiros, coloca em evidência os direitos dos consumidores em situações de overbooking ou problemas operacionais.
O que aconteceu no voo Paris-Salvador?
O problema começou quando a família já estava a bordo da aeronave com destino a Salvador. Um dos assentos da classe executiva que havia sido comprado pelo grupo estava quebrado. Para completar, outra pessoa já ocupava o lugar. A solução apresentada pela companhia aérea foi o downgrade: uma das passageiras teria que viajar na classe econômica premium, um rebaixamento em relação ao serviço contratado.
Diante da recusa da família em aceitar a mudança forçada, iniciou-se uma discussão que culminou com a intervenção do comandante do avião. A polícia foi chamada e, em seguida, todos os integrantes do grupo foram retirados do voo. Para retornar ao Brasil, tiveram que comprar novas passagens, arcando com custos extras significativos.
Entenda o que é downgrade e quando ele ocorre
O downgrade é a prática de realocar um passageiro para uma classe inferior à que ele comprou, como da primeira classe para a executiva, ou da executiva para a econômica. Essa situação pode acontecer por três motivos principais:
- Overbooking: quando a companhia vende mais passagens do que o número de assentos disponíveis no avião.
- Problemas operacionais: como a necessidade de realocar alguém apto a operar portas de emergência.
- Assentos danificados: que foi exatamente o caso enfrentado pela família baiana em Paris.
Quais são os direitos do passageiro em casos de downgrade?
Diante de uma proposta de downgrade, o passageiro tem basicamente duas opções, ambas com direitos garantidos:
- Aceitar as condições e viajar: Neste caso, ele pode viajar na classe inferior e depois buscar uma reparação financeira pela diferença do serviço, inclusive por meio de ação judicial se necessário.
- Recusar o downgrade e não embarcar: Se optar por não viajar naquele voo, a companhia aérea é obrigada a providenciar sua colocação no próximo voo disponível. Além disso, deve oferecer hospedagem, alimentação e transporte enquanto o passageiro aguarda. Também é possível questionar judicialmente eventuais prejuízos com outros compromissos perdidos.
O caso da família na Air France serve como um alerta para que os viajantes conheçam seus direitos e saibam como agir quando as companhias aéreas não cumprem o que foi contratado. A busca por reparação na Justiça é um caminho possível para quem se sente prejudicado.