Grindr implementa verificação de idade obrigatória no Brasil a partir desta sexta-feira
Grindr exige verificação de idade para usuários no Brasil

O Grindr, reconhecido como o aplicativo de relacionamentos LGBTQIA+ mais acessado globalmente, inicia nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, uma mudança significativa em sua operação no Brasil. A plataforma passa a exigir obrigatoriamente a verificação de idade para todos os usuários ativos no país, que figura entre os dez maiores mercados da empresa no mundo.

Adequação ao marco legal brasileiro

A empresa justifica a implementação como uma medida de adequação ao Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, legislação que entrou em vigor no Brasil em março de 2025. Em comunicado exclusivo, o Grindr reafirmou seu compromisso com a segurança e a privacidade dos usuários, destacando que a plataforma é exclusivamente destinada a maiores de 18 anos.

"Estamos implementando no Brasil um novo processo de verificação de idade para garantir que o acesso à plataforma seja restrito apenas a adultos", declarou a empresa. Os cadastrados começaram a receber notificações sobre a nova exigência já na quinta-feira, 19 de fevereiro.

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Como funcionará o processo de verificação

A checagem etária será realizada uma única vez e se aplicará a qualquer pessoa que utilize o aplicativo em território brasileiro, abrangendo inclusive visitantes estrangeiros. Enquanto o processo não for concluído satisfatoriamente, o perfil do usuário permanecerá bloqueado, impedindo o acesso às funcionalidades da plataforma.

Para executar a verificação, o Grindr utilizará tecnologia biométrica desenvolvida pela empresa FaceTec. A plataforma, no entanto, garante que mantém de forma independente todo o controle e processamento dos dados coletados, assegurando que as informações fornecidas sejam utilizadas exclusivamente para fins de confirmação da maioridade.

Contexto de segurança e investigações

A implementação ocorre em um momento de crescente atenção sobre a segurança em aplicativos de relacionamento voltados ao público LGBTQIA+. Em 2025, o Ministério Público Federal instaurou um procedimento administrativo para apurar se essas plataformas adotam medidas eficazes para proteger seus usuários.

A investigação foi motivada pela divulgação de diversos crimes relacionados a esse público, incluindo casos de roubo, extorsão, lesões corporais e homicídios registrados no Distrito Federal e em cidades como Curitiba, Porto Alegre e São Paulo.

Conforme explicação do procurador da República Lucas Costa Almeida Dias, que atua no Acre, a prática de crimes por meio de aplicativos de relacionamento já se configura como uma notória questão de segurança pública. Quando se trata de usuários LGBT+, a vulnerabilidade inerente à sua orientação sexual pode motivar a execução de condutas agravadas, movidas por preconceito e ódio.

Impacto no mercado brasileiro

Somente no Brasil, a plataforma registrou impressionantes quase 10 milhões de downloads durante o ano de 2025, demonstrando sua significativa penetração no mercado nacional. A empresa afirma que segue avaliando continuamente as melhores práticas para garantir que sua plataforma seja um espaço seguro para conexões entre adultos.

A medida de verificação de idade representa um passo importante na autorregulação do setor, alinhando as operações da plataforma com as exigências legais brasileiras enquanto busca fortalecer os mecanismos de proteção para sua extensa base de usuários no país.

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