Suspeito de feminicídio de modelo baiana é encontrado morto em cela após prisão no Rio
A tragédia que chocou o Rio de Janeiro ganhou um capítulo ainda mais sombrio nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026. Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, estudante de medicina de 30 anos preso pela suspeita de feminicídio da modelo Ana Luiza Mateus, foi encontrado morto na cela onde estava detido na noite do mesmo dia de sua prisão.
As primeiras informações da Polícia Civil indicam que o suspeito teria cometido suicídio por meio de asfixia, utilizando tecido de sua própria roupa. A descoberta ocorreu poucas horas após sua prisão em flagrante pelo crime que tirou a vida da modelo baiana de 29 anos, candidata ao concurso Miss Cosmo.
Queda fatal do 13º andar na Barra da Tijuca
Ana Luiza Mateus morreu após cair do 13º andar de um prédio no condomínio Alfapark, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O casal estava hospedado em um apartamento alugado por Airbnb desde o dia 17 de abril, aproveitando uma temporada na capital fluminense.
Segundo o delegado Renato Martins, da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), a polícia descartou completamente a possibilidade de suicídio da vítima. As investigações apontam que a queda foi resultado de um impulso violento durante uma discussão acalorada entre o casal.
"O suspeito admitiu a culpa, embora não tenha confessado formalmente que empurrou Ana Luiza", revelou o delegado durante coletiva à imprensa. "As circunstâncias do crime e o histórico do relacionamento nos levam a crer que se trata de feminicídio".
Briga motivada por planos de retorno à Bahia
As investigações da Polícia Civil revelaram que a discussão fatal teve origem nos planos da modelo de retornar à sua cidade natal, Teixeira de Freitas, na Bahia. Ana Luiza já havia comprado passagem para as 3h25 da manhã e avisado à mãe sobre seu retorno.
Um porteiro do condomínio testemunhou o casal discutindo por volta das 22h de terça-feira, 21 de abril. Segundo relatos, Endreo não teria recebido bem a notícia do retorno da namorada à Bahia, iniciando uma série de discussões que culminaram na tragédia.
O estudante de medicina chegou a deixar o condomínio durante a briga, mas retornou após receber mensagens preocupadas da psicóloga. Foi durante essa segunda discussão, já dentro do apartamento no 13º andar, que Ana Luiza caiu do edifício.
Manipulação da cena do crime e histórico abusivo
As investigações apontam que, após a queda fatal, Endreo desceu pelos fundos do prédio e foi até a área comum onde o corpo da namorada havia caído. Testemunhas e evidências indicam que ele manipulou a posição do corpo e alterou aspectos da cena do crime.
A polícia acredita que a queda foi resultado de um movimento de impulso intencional, não acidental. Essa conclusão se baseia no histórico de comportamento abusivo por parte do namorado, que já havia levantado preocupações entre familiares e amigos da vítima.
O casal estava junto há apenas três meses, mas Ana Luiza já tinha planos de casamento e filhos com Endreo. Entretanto, pessoas próximas à modelo já aconselhavam o término do relacionamento antes mesmo da viagem ao Rio.
Identificação falsa e morte na cela
Durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que Endreo utilizava documento de identificação em nome do irmão quando foi levado à delegacia. Essa informação acrescenta mais complexidade ao caso, que já envolvia múltiplas camadas de violência e tragédia.
A morte do suspeito na cela ocorreu na noite de quarta-feira, poucas horas após sua prisão. A polícia segue investigando as circunstâncias exatas do óbito, mas as primeiras evidências apontam para suicídio por asfixia.
O caso continua sob investigação da Delegacia de Homicídios da Capital, que busca esclarecer todos os detalhes da morte de Ana Luiza Mateus e as circunstâncias que levaram à morte de seu namorado na cela policial.



