Menino de 8 anos relata detalhes do desaparecimento dos primos em mata do Maranhão
Com autorização da Justiça do Maranhão, o menino Anderson Kauã, de 8 anos, encontrado após três dias perdido na mata, passou a acompanhar as buscas pelos primos Ágatha Isabelle e Alan Michael, que continuam desaparecidos desde 4 de janeiro no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. As pistas dadas por ele ajudam a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e revelam detalhes cruciais sobre o momento em que o grupo teria se separado.
Trilha, desorientação e cansaço extremo na mata
De acordo com o relato de Anderson Kauã, a intenção inicial do grupo era seguir até um "pé de maracujá", que ficava próximo à casa do pai dele. Para não serem vistos por um tio, o menino decidiu entrar por outro lado da mata, tentando dar a volta por dentro do matagal. A partir daí, o grupo teria se perdido completamente.
Anderson Kauã afirmou que em nenhum momento eles foram acompanhados por um adulto na trilha e que não encontraram frutas que pudessem comer durante o percurso. A falta de orientação e o cansaço extremo marcaram a experiência das crianças na densa vegetação.
'Casa caída' e o momento da separação das crianças
Uma das pistas mais importantes dadas por Anderson Kauã à equipe de buscas foi a existência de uma casa abandonada no trajeto. Ele descreveu o local como "uma casa caída", com uma cadeira velha, botas velhas e um colchão velho. Segundo o menino, a estrutura estava tão destruída que não dava para permanecer dentro.
As investigações e o rastreio dos cães confirmam a informação de Anderson Kauã. "Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu", afirma Mauricio Martins, secretário de Estado de Segurança do Maranhão.
Ele contou que ele e os primos chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore próxima à casa. Ali teria acontecido a separação: Anderson Kauã seguiu por um lado da choupana, e as outras duas crianças, pelo outro. "Ele não fala se ele seguiu para procurar ajuda ou para tentar voltar ao ponto inicial. As duas outras crianças já estavam extenuadas e ele resolveu seguir", afirma Ederson Martins, delegado de polícia do Maranhão.
O resgate e o novo direcionamento das buscas na região
Anderson Kauã foi encontrado três dias depois do desaparecimento, sem roupas e muito debilitado, por lavradores que coletavam palha. Ele havia perdido cerca de 10 quilos durante o período na mata. Exames apontaram que ele não sofreu violência sexual, segundo a investigação.
Com base no relato do menino, as buscas foram reorganizadas entre:
- O ponto onde os três foram vistos pela última vez,
- O local onde as roupas de Anderson Kauã apareceram,
- E o ponto do resgate.
A área, de cerca de 4 km², foi dividida em 45 quadrantes, percorridos diariamente por bombeiros, policiais, militares, voluntários e cães especializados.
Procura por terra e água no entorno do rio Mearim
Por estar a apenas 50 metros do rio Mearim, o local onde Anderson Kauã foi achado levou equipes a intensificarem buscas aquáticas. Mergulhadores vasculharam lagoas da região, e a Marinha passou a usar sonar para tentar encontrar vestígios sob a água.
A polícia mantém todas as hipóteses em aberto — da permanência das crianças na mata à possibilidade de afogamento ou rapto. Nenhuma peça de roupa, sandália ou acessório das crianças foi localizada até agora.
Angústia e apelo emocionado da família das crianças
A mãe de Isabelle e Alan Michael reforça que os filhos são "muito apegados" a ela e pede que, se alguém estiver com as crianças, "que devolva". Segundo a família, Isabelle vestia uma blusa amarela e usava quatro xuxinhas com sorvetinho no cabelo quando desapareceu.
"As crianças são tudo pra mim. A única coisa que eu peço é que devolvam meus filhos", disse a mãe, em um apelo emocionado que reflete a angústia vivida pela família desde o desaparecimento.