Gabriel Maciel, de 33 anos, preso na madrugada de sábado (16) após confessar ter matado o próprio pai em Manaus, estava sob efeito de drogas no momento do crime e teria planejado o assassinato para furtar duas armas da vítima, o policial militar aposentado José Moura Maciel, de 60 anos. As informações foram divulgadas pelo delegado Ricardo Cunha nesta segunda-feira (18).
O crime e a localização do corpo
O crime aconteceu em novembro de 2019. Os restos mortais do ex-policial foram encontrados na tarde de sábado, dentro de uma cisterna em uma casa abandonada no bairro Nova Esperança, na Zona Oeste da capital. A localização ocorreu após cerca de dez horas de buscas no imóvel, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
Segundo a polícia, as armas do militar seriam vendidas ou trocadas por drogas. As autoridades, porém, não informaram se o plano chegou a ser executado.
Detalhes do enterro
A polícia também detalhou a forma como o corpo foi encontrado. Conforme o delegado, o militar foi enterrado de cabeça para baixo, enrolado em uma rede. “Esse senhor foi enterrado de cabeça para baixo dentro de uma cisterna. Ele foi tratado como um animal. É um filho que trata o seu próprio pai como um animal”, declarou o delegado Ricardo Cunha.
Segundo a DEHS, a polícia também apura a possível participação de outras pessoas no crime. Como o caso chegou à unidade policial apenas no último sábado (16), o delegado informou que ainda não houve tempo suficiente para ouvir vizinhos e outras pessoas ligadas à família.
O desenrolar do caso
Segundo a Polícia Civil, José desapareceu em 26 de novembro de 2019 após sair da residência em que morava alegando que iria à casa de seu filho. O desaparecimento do policial aposentado teve uma reviravolta após a ex-companheira de José localizar o filho do militar em uma via da capital amazonense, na madrugada de sábado. Gabriel confessou à mulher que havia matado o pai. Ela o levou até uma delegacia, onde o suspeito confirmou o crime.
O homem também acompanhou os policiais até o local em que matou a vítima e indicou o ponto exato onde o corpo de José havia sido enterrado. Os restos mortais foram encontrados e enviados ao Instituto Médico Legal (IML), que confirmou se tratar de José Moura. Segundo o delegado responsável pelo caso, a polícia aguarda o laudo pericial do IML para confirmar a causa da morte, mas a principal hipótese é de enforcamento.
Investigação e prisão
De acordo com as autoridades, Gabriel é investigado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Após passar por audiência de custódia, a Justiça do Amazonas converteu a prisão do investigado em preventiva. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) deve dar continuidade às investigações para concluir o inquérito policial.
Perfil da vítima
Na época do desaparecimento, José Moura Maciel já estava aposentado e integrava a reserva remunerada da Polícia Militar do Amazonas, com vencimentos mensais de cerca de R$ 4,4 mil. Dados do Portal da Transparência do Governo do Amazonas apontam que a última remuneração paga ao soldado aposentado ocorreu em novembro de 2019, dois meses após o assassinato. Em dezembro daquele ano, o nome do militar deixou de constar na folha de pagamento.



