Buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão completam 20 dias sem pistas concretas
As buscas por duas crianças desaparecidas no estado do Maranhão entraram nesta sexta-feira, 23 de fevereiro, no seu vigésimo dia consecutivo. A operação mobiliza grupos de elite, incluindo bombeiros, militares do Exército brasileiro e até equipes vindas dos estados vizinhos do Ceará e do Pará, além de centenas de voluntários dedicados. Apesar dos esforços intensivos, nenhuma pista significativa foi encontrada sobre o paradeiro dos irmãos Allan Michael, de apenas 4 anos, e Ágatha Isabelly, de 6 anos.
Redirecionamento das operações e foco nas investigações
Autoridades de segurança pública anunciaram que as buscas vão continuar, porém com uma redução no efetivo das equipes de campo. Em comunicado oficial, Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão, explicou a nova estratégia: "Nós vamos fazer um redirecionamento para os trabalhos, dando enfoque às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais, como rastreamento e até mesmo o Exército brasileiro". Essa mudança reflete a necessidade de otimizar recursos após quase três semanas de buscas infrutíferas.
Detalhes do desaparecimento e o relato do primo
Allan e Agatha desapareceram no último dia 4 de fevereiro, em circunstâncias que preocupam a comunidade local. Eles estavam na companhia do primo, Anderson Kauã, de oito anos, quando saíram da casa da avó, localizada na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, na zona rural do município de Bacabal. Os três crianças tinham como destino a casa do pai de Kauã, que ficava mais adiante no mesmo trajeto.
O último avistamento confirmado dos três foi próximo a um atalho na mata densa da região. Três dias após o desaparecimento, Kauã foi encontrado sozinho em uma estrada de terra, a aproximadamente 3,5 quilômetros de distância em linha reta do local original. Em seu relato às autoridades, o menino contou que ele e os primos passaram por uma casa abandonada, que ele descreveu como "casa caída", e que dali ele saiu sozinho para pedir ajuda, deixando Allan e Agatha para trás.
Operações de rastreamento e busca no rio Mearim
Com base no depoimento de Kauã, cães farejadores foram imediatamente deslocados para a área onde ele afirmou ter deixado os primos. O rastreio conduzido pelos animais levou as equipes policiais até as margens do rio Mearim, um curso d'água importante na região. O Major Samarino Santana, comandante do canil da Polícia Militar do Maranhão, expressou a frustração das autoridades: "E dali a gente não sabe o que se deu", destacando a interrupção das pistas.
Desde o domingo anterior, a Marinha do Brasil entrou em ação, utilizando equipamentos avançados que emitem ondas sonoras para rastrear o leito do rio Mearim em busca de qualquer vestígio. No entanto, nenhum indício foi localizado, mantendo o mistério sobre o destino das crianças.
Apelo familiar e esperança por um desfecho positivo
Enquanto as buscas prosseguem, a família das crianças clama por respostas. Francisca Cardoso, avó de Allan e Agatha, emocionou-se ao fazer um apelo público: "A esperança nossa é de alguém encontrá-los. Só o que nós estamos querendo é ter nossas crianças de volta". A comunidade local e voluntários seguem unidos na esperança de um desfecho positivo, mesmo diante das dificuldades e do tempo decorrido.