Sogra de prefeito afastado é apontada como advogada de chefe do Comando Vermelho em Cabedelo
Sogra de prefeito é advogada de chefe do Comando Vermelho

Sogra de prefeito afastado em Cabedelo é ligada a chefe do Comando Vermelho

A sogra do prefeito afastado de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi identificada como advogada de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, líder do braço da facção criminosa Comando Vermelho na cidade. Cynthia Denize Silva Cordeiro foi um dos alvos da operação da Polícia Federal, realizada nesta terça-feira (14), que resultou no afastamento de Edvaldo da prefeitura.

Relação entre Cynthia e Fatoka é detalhada em decisão judicial

A conexão entre Cynthia e Fatoka está documentada na decisão judicial que autorizou a operação da PF. A investigação apura um desvio de R$ 270 milhões e o vínculo do poder público com a organização criminosa. Segundo as investigações, o esquema utilizava empresas terceirizadas para contratar pessoas ligadas à facção e inseri-las na administração municipal, facilitando o desvio de recursos.

O desembargador Ricardo Vital de Almeida, citando o Ministério Público da Paraíba (MPPB), destacou que a participação de Cynthia no esquema "não teria sido acidental" e ela desempenhava um papel crucial. "Ela teria articulado a aliança inicial entre a Prefeitura e a facção. Sua influência, segundo os indícios, se estende, já que é sogra do atual prefeito Edvaldo Neto, o que, em tese, a posicionaria como figura de poder contínuo, garantindo a manutenção do pacto", afirma trecho da decisão.

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Além disso, a decisão judicial menciona uma proximidade de Cynthia com o traficante Fernandinho Beira-Mar, indicando uma "relação de confiança" entre eles. Cynthia já ocupou diversos cargos na prefeitura de Cabedelo, mas não respondeu aos pedidos de posicionamento até o fechamento desta reportagem.

Prefeito afastado e outros envolvidos no esquema criminoso

Edvaldo Neto é descrito como suspeito de manter e garantir a continuidade do esquema ao assumir a prefeitura de forma interina. A Justiça alega que ele assegurou contratações com a empresa Lemon e viabilizou a retomada das relações com a facção após interrupções anteriores. Em nota, a defesa de Edvaldo negou qualquer vínculo com facções criminosas, classificando as acusações como "absolutamente inverídicas".

Outros envolvidos incluem:

  • Vitor Hugo, ex-prefeito suspeito de articular o pacto inicial com a facção e estruturar o uso da máquina pública.
  • Josenilda Batista dos Santos, secretária de Administração, apontada como braço operacional da facção na prefeitura.
  • Diego Carvalho Martins, procurador-geral do município, suspeito de dar aparência legal ao esquema.
  • Luciano Junior da Silva, proprietário do grupo Lemon, investigado como controlador das empresas usadas no esquema.

A empresa Lemon, em nota, afirmou pautar suas atividades na ética e no respeito às normas, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações.

Operação da Polícia Federal e medidas judiciais

Durante a operação, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, incluindo um apartamento do prefeito Edvaldo Neto em Intermares. A PF ainda não detalhou o material apreendido. A força-tarefa envolve a Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba (por meio do Gaeco) e a Controladoria-Geral da União.

A Justiça também proibiu o acesso às dependências da prefeitura para Edvaldo Neto, Vitor Hugo, Rougger Guerra, Diego Carvalho Martins, Cynthia Denize, Tanison da Silva Santos e Cláudio Fernandes de Lima Monteiro. Essas medidas visam proteger a ordem pública e o erário municipal, conforme destacado na decisão judicial.

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