Presidente da Câmara de Rio Verde é preso em operação contra fraudes na educação
Presidente da Câmara de Rio Verde preso por fraudes

Presidente da Câmara de Rio Verde é preso em operação contra fraudes na educação

O presidente da Câmara Municipal de Rio Verde, Idelson Mendes, filiado ao PRD, foi preso preventivamente nesta quinta-feira, dia 5, suspeito de envolvimento em um esquema de fraudes na área da educação. A prisão ocorreu durante a quarta fase da Operação Regra Três, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Sul.

Detalhes da operação e outras prisões

Além do vereador, outros dois funcionários do órgão legislativo também foram presos preventivamente na mesma operação. Os nomes desses agentes públicos não foram divulgados pelas autoridades, o que impediu o contato com suas defesas até o momento da publicação desta reportagem.

A ação policial cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em Rio Verde, localizada no sudoeste do estado de Goiás. As investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa com possível envolvimento de agentes públicos também nos municípios de Santa Helena de Goiás e Iporá.

Objetivo das fraudes investigadas

Segundo o Ministério Público de Goiás, o objetivo do esquema seria viabilizar a realização de concurso público para o preenchimento de vagas no quadro de pessoal da Câmara Municipal de Rio Verde. A fraude teria como finalidade a obtenção de vantagem indevida a partir da arrecadação de taxas de inscrição pagas pelos candidatos.

As investigações indicam que os suspeitos preparavam e utilizavam documentos para simular a legalidade do procedimento administrativo de contratação. Há suspeitas de que advogados contratados pelo Poder Legislativo municipal, em eventual conflito de interesses, também representariam a empresa beneficiada pelo esquema.

Conexão com caso do delegado Dannilo Proto

A prisão do presidente da Câmara está relacionada à mesma área de atuação em que o delegado Dannilo Proto foi denunciado. Proto já estava preso desde a primeira fase da Operação Regra Três, suspeito de fraudar processos de inexigibilidade de licitação para a contratação de instituições de ensino.

Em agosto de 2025, o delegado foi preso sob a acusação de fraudar contratações públicas e desviar recursos destinados a escolas estaduais em Rio Verde. O Ministério Público de Goiás informou que o esquema teria desviado mais de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos desde 2020.

A operação investiga uma suposta organização criminosa, liderada pelo delegado da Polícia Civil, suspeita de fraudes em contratações públicas e direcionamento ilegal de recursos públicos, principalmente para reformas e obras em escolas da rede estadual de ensino.

Posicionamento da defesa e contatos não respondidos

A defesa do delegado Dannilo Proto, representada pelos advogados Alan Cabral Jr. e Rogério Leal, emitiu uma nota afirmando que a denúncia do Ministério Público apresenta evidente excesso narrativo fático-acusatório, prática conhecida como overcharging prosecution. A defesa aguarda a produção de provas durante a instrução do processo e se compromete a demonstrar a ausência de elementos que sustentem as acusações.

O g1 entrou em contato com a Câmara Municipal de Rio Verde e com a assessoria do vereador Idelson Mendes, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa dos outros dois funcionários presos também não foi localizada, uma vez que seus nomes não foram divulgados oficialmente.

As investigações continuam em andamento, com as autoridades aprofundando as apurações sobre o possível envolvimento de mais agentes públicos no esquema de fraudes que atinge a administração pública municipal e estadual em Goiás.