Ministro do STF viajou em jato particular custeado por advogada do Banco Master para festa de aniversário
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques realizou uma viagem de Brasília para Maceió em novembro do ano passado utilizando um avião particular cujos custos foram integralmente assumidos pela advogada Camilla Ewerton Ramos. A profissional atua judicialmente em defesa do Banco Master em processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que levanta questões sobre possíveis conflitos de interesses na relação entre o magistrado e a instituição financeira.
Detalhes da viagem e conexões empresariais
A viagem ocorreu no dia 14 de novembro de 2025, com destino à festa de aniversário da própria advogada Camilla Ramos, que é casada com o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O gabinete do ministro confirmou oficialmente os fatos através de nota enviada à TV Globo, após a publicação inicial da informação pelo jornal "Estadão".
A aeronave utilizada possui vínculos diretos com a empresa Prime You, especializada em propriedade compartilhada de jatos executivos e bens de luxo. Até setembro de 2025, a empresa contava entre seus sócios com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Embora o banqueiro tenha deixado formalmente a sociedade, a Prime You continua administrando ativos de sua propriedade, mantendo uma conexão operacional.
Em sua manifestação, a advogada Camilla Ramos esclareceu que "o voo citado foi particular, privado e contratado de forma pessoal pela advogada em virtude da comemoração de seu aniversário". O desembargador Newton Ramos, marido da profissional, optou por não se pronunciar sobre o assunto.
Contexto processual e atuação de Nunes Marques
A situação ganha contornos ainda mais complexos quando consideramos que o ministro Kassio Nunes Marques atua como relator de uma ação no Supremo Tribunal Federal que solicita ao Congresso Nacional a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso envolvendo o Banco Master. Esta coincidência tem gerado debates sobre a adequação ética da relação pessoal entre o magistrado e profissionais vinculados à instituição sob possível escrutínio.
Recentemente, Nunes Marques também se manifestou sobre questões eleitorais, defendendo que a substituição temporária de um cargo por decisão judicial não deve tornar o vice-autoridade inelegível. O ministro propôs que esse tipo de substituição não ultrapasse o período de 90 dias, demonstrando sua atuação ativa em temas sensíveis do direito brasileiro.
Padrão de viagens em jatos executivos
Investigando mais profundamente os hábitos de deslocamento do ministro, registros de entrada analisados pela TV Globo revelaram que Nunes Marques acessou o terminal exclusivo para jatos executivos do aeroporto de Brasília pelo menos 14 vezes ao longo do ano de 2025. Em quatro dessas ocasiões, o advogado Luís Gustavo Severo esteve presente no mesmo local e horário.
A proximidade entre ambos é pública e documentada: Nunes Marques apadrinhou a candidatura de Severo a uma vaga de ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022. O advogado é especialista em direito eleitoral e atua no próprio TSE, tribunal que Nunes Marques está prestes a presidir por um ano a partir de junho.
Questionado sobre essa relação, o gabinete do ministro emitiu nota afirmando que Nunes Marques "se declara suspeito nos casos de Gustavo Severo, nos termos da legislação vigente, por ser amigo pessoal do advogado, o que é de conhecimento público". A declaração de suspeição foi registrada na Secretaria do Tribunal anteriormente aos voos, conforme a defesa apresentada.
"A afirmação de suspeição de forma transparente protege a honra do Judiciário e assegura o direito de convivência do magistrado em sua vida privada", complementou a nota oficial, buscando equilibrar as exigências éticas da função com os direitos pessoais do ministro.



