Lula aciona PF e órgãos para investigar cartel no preço do diesel em ano eleitoral
Lula investiga cartel no diesel com PF em ano eleitoral

Irritado com os aumentos abusivos do diesel e profundamente preocupado com os reflexos na inflação em um ano de eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Polícia Federal e a Secretaria Nacional do Consumidor, além de outros órgãos federais, para investigar práticas ilegais de preços no setor de combustíveis.

Indícios de formação de cartel no setor de combustíveis

Serviços de inteligência do governo federal identificaram indícios concretos de formação de cartel para aumentar artificialmente o preço do diesel, utilizando inclusive estoques antigos do combustível. Um assessor presidencial revelou que a Polícia Federal agora vai investigar minuciosamente se essa possível formação de cartel está ocorrendo nas distribuidoras ou nas redes de postos de combustível pelo país.

O assessor destacou que, embora os preços sejam livres no mercado, acertos entre empresas para aumentar o preço do diesel são ilegais e configuram crime contra os consumidores brasileiros.

Preocupação com impacto econômico e eleitoral

Segundo auxiliares próximos ao presidente Lula, o chefe do Executivo está "muito preocupado" com a alta do diesel porque ela pode alterar todo o cenário da economia brasileira no ano da eleição presidencial. A inflação pode voltar a subir significativamente, o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central seria obrigado a ser mais conservador justamente no momento em que estava preparando para reduzir a taxa de juros, e o humor da população com o governo ficaria ainda mais negativo.

Um interlocutor do presidente destacou que esse início de ano está sendo particularmente negativo para o governo, afetando diretamente a imagem pública de Lula. As pesquisas de opinião têm mostrado um aumento consistente da desaprovação do governo, que ainda permanece acima dos índices de aprovação.

Contexto político e medidas paralelas

Enquanto isso, o governo também atua para garantir o pagamento de um preço mínimo de frete para os caminhoneiros, principalmente neste momento de alta de preços dos combustíveis diante da disparada do preço do petróleo internacional por causa dos conflitos envolvendo os Estados Unidos e o Irã.

No cenário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência pelo PL, está na ofensiva e ganhando intenções de votos nas pesquisas. A equipe de Lula faz a ressalva de que, por enquanto, o presidente não está "apanhando" politicamente, mas isso pode começar a acontecer durante a campanha eleitoral propriamente dita.

Estratégias para reverter cenário negativo

Aliados de Lula, diante deste cenário econômico e político negativo, defendem que a futura coordenação da campanha da reeleição já entre em ação imediatamente para tentar reverter o ambiente desfavorável para o presidente. Em uma campanha eleitoral, o ideal é que a aprovação de quem tenta a reeleição, como é o caso de Lula, esteja consistentemente acima da desaprovação.

A ofensiva investigativa contra possíveis cartéis no setor de combustíveis representa uma tentativa do governo de demonstrar ação concreta diante de um problema que afeta diretamente o bolso dos brasileiros e pode ter consequências eleitorais significativas.