Ex-vice-prefeito de Itaúna enfrenta prisão domiciliar em investigação de corrupção bilionária na mineração
O ex-vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, do Partido Liberal (PL), retornou ao Brasil e está cumprindo prisão domiciliar com monitoração eletrônica desde 9 de fevereiro de 2026, conforme decisão judicial. Ele é alvo de investigações da Polícia Federal na Operação Rejeito, que desvenda um suposto esquema bilionário de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais.
Medidas cautelares e monitoramento rigoroso
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Hidelbrando está utilizando uma tornozeleira eletrônica para garantir o cumprimento das medidas cautelares determinadas pela Justiça. Enquanto as investigações prosseguem, ele deve obedecer a todas as restrições impostas, incluindo a permanência em domicílio sob vigilância constante.
Perda do cargo e ausência não autorizada
Em janeiro, a Câmara Municipal de Itaúna declarou a extinção e a vacância do cargo de vice-prefeito, após Hidelbrando ter deixado o país por mais de 15 dias sem autorização do Legislativo. Essa ação contraria a Lei Orgânica do Município, que proíbe ausências prolongadas sem permissão formal. A Câmara recebeu uma certidão confirmando que ele permaneceu no exterior além do prazo permitido, levando à formalização da perda do cargo.
A Prefeitura de Itaúna reiterou que, atualmente, a cidade não possui vice-prefeito e não haverá substituição para o posto. Em caso de afastamento do prefeito, a lei estabelece que o presidente da Câmara assuma interinamente o Executivo municipal, garantindo a continuidade administrativa.
Contexto da investigação e desdobramentos
Hidelbrando deixou o Brasil dois dias antes da deflagração da Operação Rejeito, em 17 de setembro de 2025. A operação investiga um esquema de corrupção que envolve bilhões de reais no setor de mineração em Minas Gerais, com o ex-vice-prefeito sendo citado nas apurações. Com seu retorno ao país, ele agora responde ao processo em território nacional sob monitoramento e restrições judiciais.
O g1 não conseguiu estabelecer contato com a defesa de Hidelbrando até a última atualização da reportagem, deixando questões sobre sua versão dos fatos em aberto. A situação destaca a gravidade das acusações e o impacto na administração pública local.
Processo administrativo e ações legais
Em outubro de 2025, representantes do PSOL e do PT protocolaram na Câmara Municipal um pedido de cassação do mandato de Hidelbrando, alegando abandono de função e prejuízo à imagem da administração pública. A denúncia também enfatizou o silêncio do vice-prefeito diante das investigações da Polícia Federal.
A Câmara aprovou a criação de uma Comissão Processante para apurar a ausência não justificada desde setembro. Em dezembro, a Justiça determinou a suspensão da cassação após um mandado de segurança da defesa, que argumentou que Hidelbrando nunca assumiu o comando do Executivo municipal, um requisito legal para a aplicação das regras de cassação.
Posteriormente, a Câmara recebeu da Polícia Federal uma Certidão de Movimentos Migratórios, confirmando que Hidelbrando deixou o Brasil em 15 de setembro de 2025 sem registro de retorno. Com base nesse documento e na Lei Orgânica, o Legislativo decidiu declarar a extinção e vacância do cargo, encerrando formalmente sua posição na administração.



