Diretor de Compliance do Master admite à PF que função era apenas no papel
Diretor de Compliance do Master diz que função era só no papel

Diretor de Compliance do Master admite à PF que função era apenas no papel

Em um depoimento revelador à Polícia Federal, Antônio Bull, diretor de Compliance do Banco Master, confessou que, apesar de ocupar o cargo, não exercia efetivamente as funções de monitoramento, prevenção de irregularidades e correição na instituição financeira. O testemunho, realizado no dia 27 de janeiro, expõe graves falhas na estrutura de governança do banco, que está sob investigação.

Funções delegadas e falta de conhecimento

Segundo as investigações, Bull afirmou que o Compliance do Master era parcialmente realizado pelo próprio banco e parcialmente por um escritório de advocacia externo. Ele admitiu que, embora fosse formalmente o diretor da área, cuidava de outras funções e não estava ciente dos problemas que ocorriam no banco. O blog apurou que ele disse à PF que assinava documentos sem sequer lê-los, uma prática que compromete a integridade dos processos internos.

Bull também revelou que não possui formação em Compliance ou na área jurídica, destacando uma lacuna crítica em sua qualificação para o cargo. Ele descreveu-se como um "diretor só no papel", sem poder de decisão real, enquanto as responsabilidades de Compliance eram executadas por outras pessoas do departamento jurídico interno e pelo escritório de advocacia externo.

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Estrutura falha e normativas do Banco Central

O diretor mencionou uma normativa do Banco Central que exige a designação de pessoas responsáveis pelos departamentos de um banco. No caso do Master, havia quatro diretores, mas Bull afirmou que, apesar de fazer parte da diretoria, não tomava decisões. Isso sugere que a estrutura destinada a fiscalizar a boa governança do banco não funcionava conforme o esperado, com funções críticas sendo terceirizadas ou negligenciadas.

As declarações de Bull pintam um quadro preocupante de uma cultura organizacional onde a conformidade regulatória era tratada de forma superficial, potencialmente facilitando irregularidades. A investigação continua para apurar as implicações dessas falhas nas operações do Banco Master.

Ex-diretor do BRB também revela problemas na compra de carteiras

Paralelamente, Dario Oswaldo Jr., ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB, depôs à Polícia Federal sobre a aquisição das carteiras do Master pelo BRB, no valor de 12 bilhões de reais. Ele afirmou que o BRB não sabia o que estava comprando, expressando perplexidade com como o banco adquiriu tantas carteiras sem lastro de existência.

O escândalo do Master levou à troca de toda a diretoria do BRB, e Dario não ocupa mais o cargo. Suas declarações reforçam as suspeitas de que a transação foi realizada sem a devida diligência, levantando questões sobre a gestão de riscos e a transparência nas operações bancárias envolvidas.

Esses depoimentos destacam falhas sistêmicas na governança e compliance de instituições financeiras, com impactos significativos para a estabilidade do setor. As investigações da Polícia Federal devem continuar a desvendar os detalhes desses casos, buscando responsabilizações e medidas corretivas.

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