Presidente da CPMI do INSS defende convocação de Lulinha para esclarecer vínculo com lobista
CPMI do INSS: Viana insiste em convocar Lulinha para depor

Presidente da CPMI do INSS detalha acusações e defende convocação de Lulinha

O senador Carlos Viana, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, concedeu uma entrevista exclusiva às Páginas Amarelas da edição número 2981, na qual explicou os motivos concretos para insistir na convocação de Fábio Luis da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viana, representante do Podemos de Minas Gerais, afirmou que seria muito positivo o comparecimento de Lulinha ao colegiado para esclarecer seu vínculo com o lobista Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Retomada dos trabalhos e polêmica persistente

A CPMI do INSS retomou suas atividades na última semana, e um dos pontos mais controversos continua sendo a tentativa de ouvir Lulinha. Embora ele tenha sido mencionado em trechos da investigação, o filho do presidente não é alvo direto da Polícia Federal. Em 4 de dezembro, um requerimento para convocá-lo foi rejeitado por 19 votos contra 12, mas Viana já anunciou que colocará a questão novamente em votação.

O senador destacou que as acusações envolvem a suposta contratação da influência de Lulinha por Antônio Camilo Antunes para ampliar contratos governamentais. Segundo Viana, o dinheiro utilizado pelo empresário em seus negócios teria origem em desvios do INSS, incluindo tentativas de fornecer canabidiol ao Ministério da Saúde.

Declarações de Lula e posicionamento de Viana

Em entrevista ao UOL na última quinta-feira, 5 de fevereiro, o presidente Lula revelou que conversou com o filho sobre as suspeitas. Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei o meu filho aqui. Olhei no olho do meu filho e falei: 'Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda', disse o petista.

Carlos Viana, no entanto, mantém a posição de que há questões em aberto que precisam ser esclarecidas. O uso dessa influência do Lulinha estava relacionado apenas à área da saúde ou também ocorria no INSS? Essa é uma resposta que não temos e seria muito importante que Lulinha viesse à CPMI, afirmou o senador. Ele ressaltou que o presidente da República já declarou que quem tiver que depor vai depor, o que justifica a nova tentativa de convocação.

Importância do depoimento para as investigações

Viana enfatizou que a ida de Lulinha à CPMI poderia auxiliar significativamente nas investigações. Eu não posso dizer, ninguém da comissão pode, se Lulinha é culpado ou inocente. O nome dele aparece diversas vezes no depoimento de uma testemunha à PF. Seria muito bom que ele comparecesse à CPMI para nos dizer qual é a relação dele com o empresário Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS, explicou.

O senador reiterou que a convocação é essencial para elucidar os vínculos entre Lulinha e o lobista, especialmente diante das alegações de uso de influência em contratos governamentais. A insistência de Viana reflete a complexidade do caso e a busca por transparência no âmbito da comissão, que investiga fraudes bilionárias no INSS.