Datafolha: 55% dos brasileiros acreditam em envolvimento de ministros do STF no caso Banco Master
55% acreditam em envolvimento de ministros do STF no caso Master

Pesquisa Datafolha revela percepção pública sobre envolvimento do STF no caso Banco Master

De acordo com a mais recente rodada do Datafolha, realizada entre os dias 7 e 9 de abril, 55% dos brasileiros afirmam ter conhecimento das suspeitas de ligação de ministros do Supremo Tribunal Federal com o caso do Banco Master e acreditam que existam magistrados da corte envolvidos no episódio. A pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios de todo o país, apresenta uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03770/2026.

Divisão de opiniões e desconhecimento sobre o tema

Enquanto a maioria expressiva acredita no envolvimento de ministros, 4% dos entrevistados declaram não acreditar em qualquer nível de participação dos membros do tribunal no caso. Outros 10% afirmam não saber se há ou não envolvimento dos ministros, demonstrando uma parcela significativa de indecisão. Esses três grupos somados totalizam quase 70% dos brasileiros que dizem ter tomado conhecimento, ao menos de ouvir falar, das suspeitas que envolvem membros do STF.

Por outro lado, 30% da população respondeu não ter tido nenhum conhecimento sobre o tema. Para este grupo, não foi questionada a opinião quanto à possível ligação dos ministros com o caso, destacando uma significativa lacuna de informação entre parte dos cidadãos.

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Variações conforme perfil dos entrevistados

A pesquisa Datafolha revela que a opinião sobre a existência de elos entre integrantes da corte e o episódio do Banco Master varia consideravelmente quando analisada a intenção de voto declarada pelos respondentes:

  • 42% dos eleitores de Lula (PT) acreditam no envolvimento de ministros no caso
  • 70% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) compartilham dessa crença
  • 48% daqueles que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato também acreditam no envolvimento

O desconhecimento sobre as suspeitas que pairam sobre os ministros atinge patamares ainda mais elevados entre determinados grupos demográficos. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, esse percentual chega a 48%. Também apresenta números mais altos, na casa dos 42%, entre aqueles que possuem apenas o ensino fundamental e entre quem declara que vai votar em branco ou nulo nas próximas eleições.

Contexto do caso e desgaste institucional

Desde o fim do ano passado, revelações sobre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, aproximando-os do escândalo do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, têm sido um dos principais combustíveis da crise pública em que a corte se vê implicada. Em meio a isso, ocorre uma pressão crescente pela aprovação de um código de ética mais detalhado e aplicável aos membros do tribunal, bem como movimentações em defesa de que os ministros sejam investigados.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, críticas recentes vocalizadas tanto pelo presidente Lula contra o tribunal quanto por alguns de seus aliados foram uma forma de tentar conter o desgaste político causado pelo escândalo do Banco Master. A intenção estratégica é impedir que a direita tenha vantagem eleitoral com o caso, que tem sido um dos principais motivos de desgaste da corte nos últimos meses.

Detalhes das suspeitas sobre os ministros

Entre os questionamentos ao ministro Alexandre de Moraes está o contrato do Banco Master com o escritório de sua esposa, Viviane Barci. Documentos da Receita Federal divulgados na semana passada indicam transferências que chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos. O escritório admitiu publicamente em março, pela primeira vez, que prestou serviços ao banco, mas sobre os valores se restringiu a dizer que não confirmava "informações incorretas e vazadas ilicitamente".

Outro motivo de desgaste a Moraes foi a revelação de que ele teria trocado mensagens com Vorcaro, inclusive no dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez - alegação que o ministro nega veementemente.

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Dias Toffoli, que foi o primeiro relator do caso Master na corte e tomou uma série de decisões controversas nesse período, só deixou o caso após intenso desgaste institucional. Mesmo sua saída se deu de modo bastante atípico, após uma reunião a portas fechadas com seus pares, da qual saiu uma nota declarando apoio ao ministro. Naquela semana, a Polícia Federal já havia encaminhado um relatório ao presidente da corte, Edson Fachin, relatando suspeitas sobre o caso.

Pesam contra Toffoli a indicação de pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem o ministro entre os sócios, e que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo de investimentos usado na engrenagem de fraudes do Master. O magistrado afirma que a transação foi devidamente declarada e nega ser amigo ou ter recebido dinheiro de Vorcaro.

Outros ministros mencionados no caso

Outro ministro que foi atingido pelo caso Master é Kassio Nunes Marques. Documentos indicam que ele viajou em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha Daniel Vorcaro como um dos sócios, de Brasília para Maceió, em novembro. A viagem foi organizada e paga pela advogada Camilla Ewerton Ramos, de acordo com o próprio ministro, que atua para o banco.

Também Gilmar Mendes pegou carona em um avião dessa mesma empresa, em voo oferecido ao magistrado pelo maior acionista da MBRF, Marcos Molina. O ministro afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que não sabia das relações de Vorcaro com a Prime Aviation. Conforme revelou a Folha de S. Paulo, documentos indicam que Moraes e Toffoli também usaram aviões da Prime Aviation em diferentes ocasiões.

Negociações da delação e implicações institucionais

Os termos do acordo de delação de Daniel Vorcaro estão sendo negociados em conjunto pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal. Em etapas iniciais, advogados que representavam o ex-banqueiro chegaram a sugerir aos investigadores que não fossem mencionados ministros do Supremo. A ideia teria sido rechaçada, porém, dado que não se poderia dar ao delator a prerrogativa de selecionar quem seria acusado ou poupado no processo investigativo.

Esta pesquisa Datafolha ocorre em um momento crucial para o Supremo Tribunal Federal, que enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente em termos de credibilidade institucional. As suspeitas envolvendo múltiplos ministros em um mesmo caso financeiro de grande repercussão têm gerado debates intensos sobre transparência, ética e accountability no mais alto escalão do Judiciário brasileiro.