
Parece que foi ontem, mas já se vão quinze anos. E o que era um problema contido, sabe como é?, explodiu feito rastilho de pólvora. A tal rede de postos de vendas controlados pelo PCC deu um salto que é de deixar qualquer um de cabelo em pé: de uma dúzia de pontos, míseros doze, para nada menos que trezentos espalhados só pela capital e grande São Paulo.
É um número que fala por si, grita até. E o que ele grita? A consolidação absurda do comando do tráfico em território paulista. Eles não estão mais escondidos, operando na penumbra. Estão por toda parte, com uma logística que impressiona – e assusta.
Do Oiapoque ao Chuí? Quase isso.
O negócio é tão organizado que chega a dar inveja a muita empresa por aí – mas é claro, do tipo mais sombrio possível. A investigação apurou que a facção não só domina os pontos de venda como dita as regras do jogo. Estabelece preços, controla a qualidade da mercadoria (sim, isso mesmo) e define até mesmo os territórios, evitando que os próprios associados entrem em conflito por causa de boca de fumo.
Uma máquina de fazer dinheiro, infelizmente. E o pior? Uma máquina que não para de crescer. Eles praticamente engoliram o mercado, criaram um monopólio do ilegal. As outras facções menores? Ou foram absorvidas ou… bem, você entende.
Não é Só na Quebrada
Aqui vai um dado que derruba aquele preconceito antigo: a expansão não ficou restrita às periferias. Os "pontos" avançaram para regiões mais centrais, para bairros de classe média e até alta. A estratégia é clara: ampliar o consumo e, consequentemente, os lucros. Oferecer conveniência, quase um "delivery do crime".
É um nível de ousadia que mostra a força que eles acumularam. E a sensação de impunidade, que é talvez o combustível mais perigoso de todos.
O que esperar do futuro? Difícil ser otimista. Sem políticas públicas sérias e uma ação estatal que vá muito além das operações pontuais, essa tendência de crescimento parece longe de encontrar um freio. O relatório é claro: a situação saiu totalmente do controle. E o preço disso, como sempre, a gente já sabe quem paga.