
Eis que a Polícia Federal coloca em marcha uma operação de alto calibre — a Hígia — mirando supostos integrantes do PCC acusados de extorquir presos dentro de unidades prisionais. Só que aí vem a reviravolta: a maioria dos alvos simplesmente não estava onde se esperava.
Nada menos que 14 dos 22 investigados não foram localizados. Quatorze! O delegado da PF, Fábio de Campos, não escondeu o espanto. "Totalmente atípico", definiu, com um tom de quem não vê uma coisa dessas todos os dias.
E olha que a operação não foi pequena. Doze mandados de busca e apreensão e dez de prisão preventiva, concentrados principalmente no interior de São Paulo — em cidades como Sorocaba, Itapetininga e Itapeva. Mas a rede se espalhava por outros estados também, incluindo Mato Grosso do Sul e até o Distrito Federal.
O sumiço dos alvos: coincidência ou aviso?
A pergunta que fica, claro, é: para onde foi todo mundo? O delegado Campos levanta uma possibilidade que cheira a filme de suspense: a de que os investigados podem ter sido alertados com antecedência. Alguém soltou o verbo? Vazou informação? A PF, é claro, não descarta nada e segue fuçando.
Não é todo dia que uma operação dessas escala tanto e… esbarra em tantos quartos vazios. A sensação é de que o jogo de gato e rato ficou mais complexo. Muito mais.
O esquema: cobrança de ‘taxa’ até da família
Mas do que exatamente eram acusados? Segundo as investigações — que se arrastam desde o ano passado —, os alvos integravam uma organização criminosa que cobravam uma “taxa” de detentos e até de suas famílias. O valor? Entre R$ 500 e R$ 1,5 mil. Quem não pagava, claro, sofria ameaças.
O esquema não era amador. Havia uma estrutura com “setores” específicos: um para receber o dinheiro, outro para fazer a cobrança, e ainda quem aplicasse as ameaças. Tudo muito organizado — e cruel.
Até agora, a PF conseguiu prender quatro suspeitos. Dois deles foram encontrados em presídios de Sorocaba. Outros dois, em Cunha. Nenhum deles resistiu, mas as grandes peças… bem, essas ainda estão por aí.
Uma operação que começou com tudo, mas termina — por enquanto — com mais perguntas do que respostas. E o delegado da PF sabe: o trabalho está longe do fim.