Caso Dagmar: vídeo mostra resgate do corpo de idosa de poço de 27 metros em Bauru
Vídeo mostra resgate de idosa de poço de 27m em Bauru

Caso Dagmar: vídeo registra momento dramático do resgate em poço de 27 metros

Um vídeo divulgado pelas autoridades captura o instante em que equipes do Corpo de Bombeiros realizaram a retirada do corpo de Dagmar Grimm Streger, uma idosa de 76 anos, de um poço com aproximadamente 27 metros de profundidade. O local fica em Bauru, no interior de São Paulo, e o resgate ocorreu na tarde desta quarta-feira, 21 de janeiro.

A senhora estava desaparecida desde o dia 19 de dezembro do ano passado, e sua ausência vinha mobilizando investigações policiais intensas. As buscas culminaram com a descoberta dos restos mortais no fundo do poço, encerrando um período de angústia para familiares e a comunidade.

Detalhes do resgate e complexidade da operação

Nas imagens, é possível observar o corpo da vítima dentro de um saco, cuidadosamente amarrado a uma corda e sendo içado com o auxílio de um guincho. Do lado externo, bombeiros trabalhavam em conjunto, puxando a corda para facilitar a retirada. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, pelo menos doze agentes estiveram envolvidos nessa ação delicada e perigosa.

O poço, conhecido como poço caipira, era utilizado anteriormente para captação de água, mas encontrava-se desativado. Ele estava situado no sítio onde Dagmar residia, na região do Rio Verde, em Bauru. A operação de resgate exigiu esforços significativos devido às condições do local.

Investigações apontam para crime com motivação financeira

As investigações da Polícia Civil revelaram que o poço passou a ser considerado um possível local do corpo após o casal de caseiros Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40 anos, confessar informalmente ter agredido Dagmar com uma paulada na cabeça e, em seguida, jogado seu corpo no poço.

O casal trabalhava e morava na mesma propriedade da idosa, e a relação entre eles envolvia repasses frequentes de bens e dinheiro. Segundo o delegado Luciano Faleiro Rezende, em entrevista à TV TEM, a motivação do crime parece ter sido financeira.

"Durante a investigação, a gente descobriu que a dona Dagmar havia doado um terreno para eles, posteriormente recomprou esse terreno e deu um veículo para ele. São as informações que temos até o momento", afirmou o delegado.

Escavações extensas e demolição da casa

Desde o início das escavações no local, em 30 de dezembro, cerca de 27 metros de profundidade foram escavados até que o corpo fosse finalmente encontrado. A operação foi complexa devido à antiguidade e profundidade do poço, exigindo a ampliação do diâmetro da abertura para garantir a segurança das equipes e permitir o acesso de maquinário pesado.

Para isso, a estrutura da casa de Dagmar teve que ser demolida. Téo Zacarias, coordenador da Secretaria de Obras de Bauru, explicou que "cada célula tem cerca de 70 centímetros de altura e precisa ser retirada uma a uma. Para isso, é necessário espaço, e a casa acabava atrapalhando o avanço das escavações. Tentamos preservá-la, mas chegamos à conclusão de que a demolição era inevitável".

Outra dificuldade enfrentada foi a retirada de vários sacos de adubo que, conforme as investigações, foram jogados sobre o corpo na tentativa de mascarar o odor da decomposição.

Prisão dos suspeitos e desdobramentos do caso

O casal de caseiros foi detido no dia 24 de dezembro, em Salto do Itararé, no Paraná, enquanto tentava trocar de veículo. A polícia informou que eles fugiram com o carro da vítima após o desaparecimento, e o veículo foi localizado em Tatuí, São Paulo, onde teria sido trocado por uma caminhonete.

Em depoimentos informais, Paulo Henrique assumiu a autoria do homicídio, inicialmente atribuindo o crime ao filho de 14 anos, mas depois confirmando sua participação. O adolescente está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Avaré. Daniela, por sua vez, negou envolvimento, alegando que estava dormindo no momento do ocorrido.

Com a localização do corpo de Dagmar, o caso agora será investigado formalmente como homicídio e ocultação de cadáver. O trabalho de busca foi coordenado pela Polícia Civil, com apoio essencial do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Obras de Bauru, destacando a colaboração interinstitucional em situações críticas.