Famílias exigem respostas após troca de corpos em cemitério de João Pessoa
Um caso de troca de corpos envolvendo dois homens, José Pereira e Waldeci Batista, no Cemitério de Cruz das Armas, em João Pessoa, tem gerado revolta e cobranças por parte das famílias afetadas. Após o enterro de um corpo como sendo o outro, a Justiça da Paraíba autorizou, nesta sexta-feira (23), a exumação do cadáver de José Pereira, permitindo que os corpos fossem encaminhados corretamente para suas respectivas famílias.
Detalhes do ocorrido e reações das famílias
As informações foram confirmadas pela TV Cabo Branco. O corpo de José Pereira foi enviado para sua família, que planeja realizar um enterro na cidade de Sapé, localizada na Zona da Mata da Paraíba. Em relação ao cadáver de Waldeci Batista, este foi destrocado e enterrado no próprio Cemitério de Cruz das Armas, onde José Pereira havia sido enterrado erroneamente.
Ainda não se sabe se haverá velório, o local e o horário do enterro de José Pereira em Sapé. Enquanto isso, a Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) iniciaram uma investigação para apurar as circunstâncias da troca de corpos.
Os dois homens morreram no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita. Os corpos foram reconhecidos pelos familiares na unidade de saúde na quinta-feira (22) e, posteriormente, encaminhados para o serviço funerário. No âmbito da investigação do MP, o órgão vai apurar como a unidade hospitalar conduziu os procedimentos para a liberação dos corpos.
Relato emocionante da família de José Pereira
A família de José Pereira descobriu a troca ao abrir o caixão para o velório. "Quando a gente chegou aqui (local do velório), fomos as primeiras a ver e reconhecer que não era ele. Ainda está sendo um choque", disse uma familiar. Ela relatou que, ao retornar ao hospital, foi informada sobre a retirada de outro corpo de uma funerária diferente.
"A gente teve o contato com a outra funerária, e por sinais do corpo que foi recebido lá, a gente já sabia que era o corpo do meu pai", acrescentou. A mulher também afirmou ter procurado a família de Waldeci Batista, cujo corpo supostamente estava sendo velado erroneamente.
Rosalba Gomes, filha de Waldeci Batista, explicou que a família não costuma realizar velórios, motivo pelo qual o corpo já havia sido enterrado em João Pessoa. Sobre as funerárias envolvidas, Jennifer Pereira, outra familiar, disse ter entrado em contato, mas "não falaram nada".
"A gente, por conta própria, descobriu o número da funerária que retirou o outro corpo, foi no mesmo horário, liguei para a funerária, contei a história toda, eles me passaram o contato, e minha filha foi até lá, enquanto isso as duas funerárias nada", contou ela, destacando a falta de comunicação das empresas.
Posicionamento do Hospital Metropolitano
Em nota, o Hospital Metropolitano confirmou a morte de José Pereira na unidade e afirmou que "o corpo foi liberado de forma regular para a funerária indicada". Sobre o retorno da família ao hospital após a suposta troca, a unidade disse ter realizado "imediatamente as verificações necessárias e confirmou que o corpo do paciente havia sido corretamente reconhecido".
O hospital também declarou que "todos os procedimentos sob responsabilidade da unidade foram executados de maneira adequada, transparente e em conformidade com os fluxos técnicos e legais estabelecidos", e que permanece à disposição da família para esclarecimentos adicionais.
Investigações em andamento e impactos
O caso tem levantado questões sobre a segurança e os protocolos em serviços funerários e hospitalares na região. As famílias continuam a exigir explicações detalhadas sobre como a troca ocorreu e quem será responsabilizado. A investigação do Ministério Público e da Polícia Civil promete trazer mais luz aos fatos, enquanto a comunidade local acompanha com atenção os desdobramentos.
Este incidente sublinha a importância de procedimentos rigorosos na manipulação e identificação de corpos, especialmente em momentos de luto, onde erros podem causar traumas adicionais às famílias enlutadas.