Justiça autoriza transferência de Sérgio Nahas da Bahia para São Paulo
Transferência de Sérgio Nahas para SP é autorizada

Justiça autoriza transferência de Sérgio Nahas da Bahia para São Paulo

A Justiça concedeu autorização para a transferência do empresário Sérgio Nahas do estado da Bahia, onde ele foi preso, para a capital paulista. A decisão judicial ocorreu após um pedido formal realizado pela polícia de São Paulo na última quinta-feira, dia 22 de fevereiro. Conforme apurado pela TV Globo, a operação de transferência será coordenada pelo Departamento de Homicídio de Proteção à Pessoa (DHPP), com os policiais programados para buscá-lo na próxima quarta-feira, 28 de fevereiro.

Detenção na Bahia e contexto do crime

Sérgio Nahas foi detido no dia 17 de janeiro na Praia do Forte, localizada no município de Mata de São João, a aproximadamente 60 quilômetros de Salvador. A prisão ocorreu mais de 23 anos após ele ter cometido o assassinato de sua ex-esposa, Fernanda Orfali, a tiros no apartamento do casal no bairro de Higienópolis, no Centro de São Paulo. No momento da prisão, Nahas foi encontrado portando 13 pinos de cocaína, três celulares e um veículo da marca Audi.

A identificação do empresário foi possível graças a uma câmera de reconhecimento facial instalada na vila de Praia do Forte, onde ele estava hospedado em um condomínio de luxo. Nahas havia sido condenado em 2018 pela Justiça de São Paulo, e a condenação foi confirmada no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que aumentou a pena para 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado e expediu o mandado de prisão.

Posicionamento da defesa e detalhes do caso

A defesa de Sérgio Nahas, representada pela advogada Adriana Machado e Abreu, emitiu uma nota afirmando que enxerga "muitas falhas no processo" e considera o caso como "um dos casos de maior injustiça do nosso país". A defesa ressaltou que continuará utilizando todas as medidas jurídicas cabíveis, argumentando que Nahas é uma pessoa idosa com graves problemas de saúde e que não tinha interesse em descumprir as determinações da Justiça.

Segundo a defesa, Nahas já residia na Bahia há alguns anos antes da expedição do mandado de prisão, e há pedidos em andamento nas Cortes Superiores, cujo andamento foi comprometido devido ao recesso judicial.

Relembrando o crime e a condenação

Sérgio Nahas é um empresário paulistano do setor têxtil e de confecções que ficou conhecido nacionalmente após o assassinato de sua ex-companheira, Fernanda Orfali, em setembro de 2002. O crime ocorreu no apartamento do casal em Higienópolis, após uma discussão em que ela descobriu que Nahas a traía e usava drogas. A arma utilizada no crime pertencia ao próprio Nahas e não estava registrada.

Ao longo do processo, a defesa sustentou que Fernanda sofria de depressão e teria cometido suicídio, mas laudos periciais não encontraram vestígios de pólvora em suas mãos, elemento crucial para casos de suicídio por arma de fogo. A acusação, por sua vez, alegou que Nahas matou a esposa por se sentir ameaçado com a descoberta da traição e preocupado com a partilha de bens em um possível divórcio.

O processo foi marcado por lentidão, com Nahas respondendo em liberdade por muitos anos enquanto recorria das decisões. Em 2018, a Justiça de São Paulo o condenou a 7 anos de prisão em regime semiaberto, e em 2025, o STF confirmou a condenação, aumentando a pena para 8 anos e 2 meses em regime fechado. Após essa decisão, um mandado de prisão foi expedido, mas Nahas permaneceu foragido até sua captura na Bahia.