Operação Anúbis desvenda suspeita de assassinatos em UTI de hospital de Brasília
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma investigação chocante que remete a casos internacionais de "Anjo da Morte". Um técnico de enfermagem, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, está sendo investigado pela morte de pelo menos três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, região administrativa de Brasília.
Detalhes macabros das mortes revelados pela polícia
As investigações, batizadas de Operação Anúbis em referência ao deus egípcio associado aos mortos, apontam que as vítimas foram submetidas a procedimentos criminosos entre novembro e dezembro do ano passado. Segundo o delegado Wisllei Salomão, da Polícia Civil de Brasília, as evidências coletadas são robustas e incluem vídeos que demonstram as ações dos suspeitos, além de análise detalhada dos prontuários médicos.
O caso mais chocante envolve a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. De acordo com as investigações, ela recebeu inicialmente quatro injeções de medicamento destinado a provocar paradas cardíacas. Como não faleceu imediatamente e o medicamento havia acabado, o técnico teria utilizado um desinfetante de pia que estava no leito, enchendo cerca de 13 seringas e injetando o produto diretamente em suas veias, o que finalmente causou seu óbito após seis paradas cardíacas registradas.
Modus operandi elaborado e participação de cúmplices
O técnico de enfermagem teria acessado computadores do hospital reservados exclusivamente para médicos, onde falsificou receitas para prescrever medicamentos de uso restrito com potencial letal. Com esses documentos falsificados, retirava os medicamentos na farmácia do hospital, juntamente com as seringas utilizadas para aplicar as substâncias nas vítimas.
A investigação também aponta a participação de duas outras técnicas de enfermagem. Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, que fazia estágio com Marcos Vinícius, e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, que teria ajudado fazendo vigília do local enquanto os pacientes eram mortos. As autoridades estão levantando indícios de que o técnico possa ter cometido mais crimes, considerando que já prestou serviços em outros hospitais, incluindo uma UTI neonatal.
Vítimas identificadas e semelhanças com caso internacional
Além da professora aposentada, as outras vítimas identificadas são o supervisor da Companhia de Saneamento Ambiental João Clemente Pereira, de 63 anos, e o carteiro Marcos Moreira, de 33 anos. Todos receberam medicamentos e substâncias tóxicas antes de falecerem na UTI do hospital.
O caso guarda semelhanças perturbadoras com a história real que inspirou o filme O Enfermeiro da Noite, baseado no americano Charles Cullen, conhecido como "Anjo da Morte", que teria assassinado pelo menos 40 pacientes entre as décadas de 80 e 90. A investigação foi iniciada pelo próprio Hospital Anchieta, que identificou mortes suspeitas entre os pacientes e acionou as autoridades policiais.
Até o momento, a defesa dos investigados não se manifestou publicamente sobre as acusações. O espaço segue aberto para manifestações dos advogados envolvidos no caso, que continua sob apuração detalhada pela Polícia Civil do Distrito Federal.