Operação policial prende quatro pessoas por desaparecimento de jovem em Guarujá
A Polícia Civil de São Paulo prendeu quatro indivíduos suspeitos de envolvimento no desaparecimento e possível execução de Maria Eduarda Cordeiro da Silva, uma jovem de 20 anos que sumiu após as comemorações do réveillon em Guarujá, no litoral paulista. As investigações, conduzidas pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, apontam que a vítima teria sido alvo de um 'tribunal do crime' organizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Motivação ligada a facções criminosas rivais
Conforme apurado pelas autoridades, Maria Eduarda foi 'condenada à morte' por suspeita de integrar o Comando Vermelho (CV), facção rival do PCC na região. O delegado Thiago Nemi Bonametti, responsável pelo caso, destacou que relatos de testemunhas, análise de telefonia e publicações da jovem nas redes sociais corroboram essa motivação. Nas postagens, que datam de aproximadamente um ano atrás, a vítima ostentava armas de fogo, utilizava símbolos e fazia menções explícitas ao CV.
"Isso chamou atenção do próprio crime organizado rival na região. Ela estava morando aqui agora e eles começaram a tentar identificar onde ela estaria, já que fazia várias menções a essa facção criminosa rival", afirmou o delegado em entrevista.
Detalhes das prisões e participação dos suspeitos
Os policiais civis da 3ª Delegacia de Homicídios, com apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE), cumpriram mandados de prisão temporária contra três homens, com idades de 19, 24 e 28 anos, e uma mulher de 21 anos. Os nomes dos detidos não foram divulgados, e eles são investigados pelos crimes de organização criminosa e homicídio qualificado.
As investigações indicam que a vítima foi arrebatada e morta por integrantes do crime organizado local, com auxílio de um motorista de aplicativo e de um casal. A participação de cada um dos quatro presos foi detalhada:
- Um homem e uma mulher foram até a residência da vítima para descartar seus pertences, ação que, segundo a polícia, visava dificultar a elucidação do caso.
- Um integrante da facção criminosa esteve diretamente envolvido na execução de Maria Eduarda.
- Um motorista de aplicativo realizou o transporte de envolvidos no crime até o Estado do Paraná, motivo que ainda está sob investigação.
Histórico da vítima e relatos familiares
Maria Eduarda havia se mudado de Curitiba (PR) para Guarujá com o namorado aproximadamente três meses antes de desaparecer. Sua mãe, Claudieli Natali Cordeiro, de 34 anos, contou que a filha tinha antecedentes por tráfico de drogas na adolescência, mas ressaltou que, até onde sabia, a jovem estava trabalhando na praia e não mantinha mais envolvimento com atividades criminosas.
O último contato da mãe com a filha ocorreu por volta das 16h40 do dia 2 de janeiro, quando Maria Eduarda enviou fotos da virada do ano. No dia seguinte, Claudieli recebeu mensagens de um número desconhecido, onde uma pessoa se apresentou como irmã do namorado da jovem, informando que o casal havia sido sequestrado e estava em cárcere privado em um morro de Guarujá, acusado de pertencer ao CV.
Posteriormente, o próprio namorado entrou em contato com a mãe, no dia 5 de janeiro, confirmando que foi liberado pelos criminosos, mas não soube do paradeiro de Maria Eduarda. "Falou que não sabe o que aconteceu com ela porque mandaram ele embora e ficaram com ela", relatou Claudieli. A polícia ainda não localizou o namorado ou a irmã dele para depoimentos.
O desaparecimento foi registrado no dia 2 de janeiro, mas a confirmação da morte pela Polícia Civil só ocorreu na quinta-feira (19), quando as prisões foram efetuadas. As investigações continuam em andamento para localizar o corpo da vítima e identificar outros possíveis envolvidos no crime, que evidencia os conflitos entre facções no litoral de São Paulo.



