Cabo da PM preso por duplo homicídio acumula histórico de violência no Espírito Santo
PM preso por matar casal tem histórico de violência no ES

Cabo da PM preso por duplo homicídio acumula histórico de violência no Espírito Santo

O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, atualmente preso pela morte de um casal de mulheres em Cariacica, na Grande Vitória, possui um extenso histórico de denúncias de violência durante seu trabalho. Em 2022, ele foi investigado pela morte de uma mulher trans, e agora responde por um duplo homicídio qualificado, cometido enquanto estava fardado e em horário de serviço.

Crime chocante em Cariacica

O último caso envolvendo o cabo Luiz Gustavo ocorreu na quarta-feira, 8 de abril de 2026, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. O militar foi flagrado por câmeras de segurança atirando contra Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos, que morreram no local. Testemunhas relataram que o crime foi motivado por uma desavença entre as vítimas e a ex-esposa do policial, que residiam no mesmo prédio. O cabo, que estava afastado das atividades de rua desde 2022 devido ao caso da mulher trans, deixou seu posto administrativo para cometer os assassinatos.

Histórico de violência do policial

Com 18 anos de serviço na Polícia Militar, Luiz Gustavo Xavier do Vale acumula várias denúncias graves:

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  • Março de 2020: Denúncia do Ministério Público por agredir um homem em uma boate em Vila Velha, enquanto trabalhava como segurança extraoficial. A vítima sofreu fraturas no maxilar e ficou 11 dias internada.
  • Abril de 2020: Denúncia por balear um suspeito durante abordagem em Cariacica, além de aplicar uma rasteira na vítima, que desmaiou.
  • Julho de 2020: Acusado de matar uma mulher trans de 34 anos com cinco tiros durante uma abordagem no bairro Alto Lage, em Cariacica. Testemunhas descreveram o ato como uma execução, contradizendo a versão da PM.
  • Abril de 2026: Flagrado atirando e matando o casal de mulheres, em um crime que chocou a comunidade local.

A Justiça Militar do Espírito Santo absolveu o policial da acusação de lesão corporal grave no caso de 2020, mas a decisão cabe recurso. O processo da agressão na boate ainda aguarda julgamento.

Investigações e responsabilidades

Segundo a Polícia Militar, o cabo será investigado na Justiça Militar por abandono de posto, uso de viatura e outras transgressões. Na Justiça Comum, ele foi autuado por duplo homicídio qualificado. Atualmente, Luiz Gustavo permanece no Presídio Militar, no Quartel de Maruípe, em Vitória, sem previsão de liberação.

Especialistas em segurança pública, como o professor Henrique Herkenhoff, criticam a conduta dos colegas que acompanharam o cabo durante o crime. O vídeo do incidente mostra que os policiais não tentaram impedir os disparos contra as mulheres desarmadas. Herkenhoff destacou que é inadmissível um servidor público usar seu cargo para resolver problemas pessoais, e que a ex-esposa deveria ter acionado os canais oficiais, como o Ciodes.

Detalhes do crime e motivação

As imagens de segurança capturaram o momento em que a viatura chega em alta velocidade, os policiais descem e atiram nas vítimas. Francisca foi baleada e caiu, enquanto Daniele tentou fugir, mas foi executada. Após o crime, o cabo removeu o colete e entregou a arma.

A motivação do crime está ligada a uma discussão entre as vítimas e a ex-esposa do policial sobre um possível furto de energia relacionado a um ar-condicionado. Na manhã do crime, as vítimas mencionaram o filho do casal, o que levou a ex-esposa a acionar o cabo, que estava em serviço.

Contexto do afastamento e reações

O cabo já respondia a um processo pela morte da mulher trans Lara Croft, em 2022, e estava afastado das ruas, desempenhando funções administrativas. O comandante-geral da PM do Espírito Santo, coronel Ríodo Rubim, afirmou que o caso foi tratado com rigor, mas a nova ocorrência levantou questões sobre a eficácia das medidas disciplinares.

A Polícia Militar não informou quantos policiais acompanharam o cabo no crime ou se estão afastados, limitando-se a dizer que serão ouvidos durante o inquérito. A corporação emitiu uma nota afirmando que adotará medidas cabíveis caso seja constatada responsabilidade, respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa.

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Este caso sombrio destaca falhas graves no sistema de segurança pública e reacende debates sobre violência policial e impunidade no estado do Espírito Santo.