Pai de advogada presa por racismo no Rio imita macaco após retorno dela à Argentina
Pai de advogada presa por racismo imita macaco após retorno à Argentina

A advogada e influenciadora argentina Agostina Páez, ré em processo por injúria racial no Brasil, se desvinculou publicamente das atitudes do pai, o empresário Mariano Páez, que foi filmado em um bar de Santiago del Estero imitando um macaco e expressando repúdio ao Estado. O episódio ocorreu menos de 24 horas após o retorno dela à Argentina, após cumprir medidas cautelares no Rio de Janeiro.

Repúdio público e distanciamento familiar

Em publicação nas redes sociais, Agostina Páez afirmou: "O que se vê é lamentável e eu repudio completamente. Eu me responsabilizo pelo que fiz: reconheci meus erros, pedi desculpas e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelos meus próprios atos". A influenciadora demonstrou abatimento com a situação e reforçou que não tem qualquer relação com o episódio envolvendo o pai.

Similaridade com o caso original

Os gestos realizados por Mariano Páez são semelhantes aos que levaram a filha à prisão em janeiro deste ano. Na ocasião, Agostina foi detida após fazer gestos racistas e usar termos ofensivos contra funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela permaneceu por mais de dois meses no Brasil sob monitoramento com tornozeleira eletrônica.

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Conteúdo polêmico do vídeo

As imagens divulgadas por um site local mostram o empresário em saída noturna acompanhado da companheira. Em determinado momento, ele grita e imita um macaco – reprodução exata do gesto que culminou na detenção da filha. Em outra gravação que circulou nas redes, Mariano Páez afirma que pagou a fiança de US$ 18 mil para que Agostina responda ao processo em liberdade e declarou: "Eu tenho asco do Estado. Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco...".

Alegação de inteligência artificial

Segundo o jornal La Nación, o pai da influenciadora afirmou que as gravações foram produzidas com uso de inteligência artificial. No entanto, análises técnicas submetidas a ferramentas especializadas indicaram probabilidade entre 0% e 2% de manipulação por IA na geração das imagens.

Retorno à Argentina e condições judiciais

Agostina Páez retirou a tornozeleira eletrônica na terça-feira (31) após autorização judicial e retornou para a Argentina na quarta-feira (1º). No aeroporto de Buenos Aires, a advogada definiu sua experiência no Brasil como um "calvário", mas expressou arrependimento pela reação no episódio racista. "Apesar do contexto, me arrependo de ter reagido desta maneira, mas agora estou aqui", declarou aos jornalistas.

Encontro político e repercussão

Durante sua volta à Argentina, Agostina se encontrou com a senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei. O encontro foi registrado em selfie publicada pela ex-ministra em rede social. A influenciadora também aconselhou viajantes a conhecerem o contexto das leis brasileiras, afirmando: "Há uma lei no Brasil que é muito severa".

Decisão judicial e valores envolvidos

Uma decisão da Oitava Câmara do Tribunal de Justiça do Rio determinou o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos – aproximadamente R$ 97 mil – para que Agostina pudesse deixar o Brasil. O desembargador Luciano Silva Barreto, relator do caso, considerou que a acusada é primária, tem profissão definida e demonstrou colaboração com o processo, incluindo manifestação pública de arrependimento.

Acusações e reparação

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, em 14 de janeiro, Agostina se referiu a um empregado de bar em Ipanema como "negro" de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra "mono" (macaco em espanhol) enquanto imitava gestos do animal. A promotoria identificou três crimes e defende reparação financeira de 120 salários mínimos (R$ 190.452) por danos morais às vítimas.

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Compromissos futuros e possibilidade de cumprimento de pena

Agostina Páez deverá manter endereço e contatos atualizados e se comprometeu a atender convocações da Justiça brasileira mesmo estando na Argentina. Acordos internacionais entre Brasil e Argentina permitem, em caso de condenação, que a pena seja cumprida no país de origem da acusada. Durante audiência em março, a advogada já havia pedido desculpas aos três funcionários do bar pelos gestos racistas.