MP do Rio pede à Justiça fim da liberdade condicional do ex-goleiro Bruno
MP pede fim da liberdade condicional do ex-goleiro Bruno

MP do Rio pede à Justiça fim da liberdade condicional do ex-goleiro Bruno

A Promotoria de Justiça de Execução Penal do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou um pedido para que seja revogado o livramento condicional concedido ao ex-goleiro Bruno Fernandes. Ele foi condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio, um caso que chocou o Brasil.

A informação foi confirmada oficialmente pelo MPRJ nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026. A movimentação judicial ocorre poucos dias após Bruno ter sido visto no Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro, assistindo ao jogo entre Flamengo e Internacional.

Possível prisão iminente

Em nota enviada à imprensa, o Ministério Público esclareceu que, caso o Judiciário acate o pedido, pode ocorrer a prisão de Bruno Fernandes. O ex-atleta cumpria pena em regime semiaberto antes de receber o benefício do livramento condicional.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O MPRJ argumenta que o benefício nunca foi propriamente efetivado, pois Bruno não foi localizado nos endereços informados ao Juízo para a assinatura do Termo de Cerimônia. Isso contraria a Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210), que exige o aperfeiçoamento do benefício.

Histórico do caso e atraso na informação

A decisão que fundamenta o pedido remonta a janeiro de 2023, quando o ex-goleiro não compareceu para os trâmites legais necessários. No entanto, a Promotoria só recebeu essa informação em 15 de janeiro de 2026, três anos após a solicitação inicial.

Diante disso, o Ministério Público entende que o livramento condicional deve ser tornado sem efeito de maneira imediata, reforçando a necessidade de rigor na aplicação da lei.

Relembrando o crime de Eliza Samudio

O caso de Eliza Samudio, que culminou na condenação de Bruno, envolveu um plano meticuloso e brutal. Reportagens da época revelaram que a morte foi planejada por pelo menos cinco meses, com detalhes técnicos, científicos e testemunhais que expuseram a articulação do ex-goleiro e seus comparsas.

Eliza, que teve um relacionamento com Bruno – ele era casado e mantinha outros relacionamentos –, foi vítima de agressões anteriores. Em outubro de 2009, ela foi espancada e ameaçada com uma arma, além de ser forçada a tomar um abortivo que não funcionou.

Com medo, a modelo se refugiou na casa de amigos, mas foi atraída de volta ao Rio em maio de 2010 pela promessa de um apartamento mobiliado e um contrato de pensão. Instalada em um hotel na Barra da Tijuca, ela foi levada a um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde foi assassinada.

Nas conversas por MSN antes de sua morte, Eliza expressava temor, dizendo que "Bruno é maluco" e que ir à "terra do Bruno vou só com passagem de ida. Vão me matar lá". Suas previsões sombrias se concretizaram, tornando este um dos crimes mais notórios da história recente do país.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar