Polícia Civil prende mais dois PMs por execução de lobista na Zona Leste de SP
A Polícia Civil de São Paulo efetuou nesta segunda-feira, 26 de fevereiro, a prisão de mais dois policiais militares suspeitos de envolvimento na execução do comerciante Luis Francisco Caselli, de 61 anos. O crime ocorreu em novembro do ano passado, no bairro da Vila Formosa, na Zona Leste da capital paulista.
Detenções temporárias e apreensões
Segundo apurações da TV Globo, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária contra os agentes. Durante a operação, os celulares dos suspeitos foram apreendidos, e nenhum dos dois foi interrogado até o momento. Com essas novas detenções, o número total de PMs presos no caso chega a oito, todos vinculados ao 6° Batalhão de Ações Especiais (BAEP) de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Cronologia das prisões
As investigações tiveram um avanço significativo nas últimas semanas. No dia 16 de janeiro, o primeiro PM, identificado como Hélio Passos, foi detido pela Corregedoria da PM por suspeita de participação no crime. Outros cinco policiais foram presos no dia 19 de janeiro, em uma ação coordenada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
O secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves, emitiu uma nota na época, destacando a importância da atuação das polícias. "A gente não fica feliz com essa situação, em que um agente público que se comprometeu a servir e proteger acaba se envolvendo em uma ação criminosa, mas é importante que a população saiba que, quando isso acontece, nossas polícias estão de prontidão para trazê-los à Justiça", afirmou Gonçalves.
Detalhes do crime
Luis Francisco Caselli foi assassinado por volta das 18h30 do dia 24 de novembro, quando chegava em casa de carro. Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens em uma moto se aproximando do veículo. O garupa desce, saca uma arma e dispara ao menos três vezes à queima-roupa contra a vítima.
Após os disparos, o atirador vai até a parte traseira do carro e tenta retirar um objeto, que, segundo os investigadores, seria um rastreador veicular instalado no veículo. Antes de conseguir retirar o equipamento, o carro ainda se movimenta por alguns metros e colide com outro veículo. Em seguida, os criminosos fogem do local.
Caselli foi socorrido e levado ao Hospital do Tatuapé, mas não resistiu aos ferimentos. A polícia acredita que o crime foi uma execução planejada, com o uso do rastreador para monitorar os deslocamentos da vítima.
Investigações e envolvimento de PMs
De acordo com as investigações, o PM Hélio Passos recebeu o rastreador veicular que estava instalado no carro de Caselli, utilizado para acompanhar sua rotina antes do crime. A polícia também prendeu Clévio Queiroz dos Santos, apontado como o homem que vendeu o equipamento. Em depoimento, Clévio afirmou que entregou o rastreador a Hélio Passos.
Com base nessas informações, a Corregedoria da PM e a Polícia Civil solicitaram as prisões dos agentes. A defesa dos policiais não foi localizada pela reportagem para comentar o caso.
Histórico da vítima
Luis Francisco Caselli atuava como lobista de empresas junto ao poder público e tinha diversas passagens pela polícia por estelionato. Segundo o Ministério Público Federal, ele chegou a se passar por delegado da Polícia Federal em alguns golpes, contando com a ajuda de policiais.
O caso foi registrado como homicídio qualificado no 30º Distrito Policial do Tatuapé, que segue com as investigações para identificar todos os envolvidos no crime. As autoridades reforçam o compromisso de apurar rigorosamente o envolvimento de agentes públicos em atividades criminosas.