Presidentes de torcidas do Ceará e Fortaleza renunciam após ordem de facção criminosa
Líderes de torcidas renunciam após ordem de facção no Ceará

Presidentes de torcidas organizadas do Ceará e Fortaleza renunciam após ordem de facção criminosa

Os presidentes de duas das maiores torcidas organizadas dos clubes cearenses, Ceará e Fortaleza, renunciaram aos cargos em meio a uma investigação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) sobre mensagens atribuídas a uma facção criminosa. As mensagens, que circulam na internet, teriam ordenado a proibição de brigas entre torcedores dos times rivais.

Mensagens da facção e renúncias dos líderes

Nas mensagens que viralizaram nas redes sociais, a facção criminosa teria proibido as brigas entre torcedores, alegando que os conflitos "trazem problemas para a organização [o grupo criminoso] e sistema para dentro da quebrada". Isso se refere à presença de policiais acionados durante os confrontos. O g1 confirmou que as mensagens chegaram ao conhecimento do MPCE, que está investigando o caso.

Em resposta, os presidentes das torcidas organizadas gravaram vídeos renunciando aos cargos. Weslley Paulo, conhecido como Dudu, afirmou não ser mais líder da Torcida Organizada Cearamor (TOC), enquanto Anderson Xiboi declarou o mesmo para a Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF). No entanto, ainda não há confirmação se as saídas foram diretamente causadas pelas ordens da facção. O g1 tentou contato com ambos os ex-presidentes, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

Confrontos generalizados antes do clássico

Neste domingo (8), ocorreu o primeiro Clássico-Rei de 2026 entre Ceará e Fortaleza. Antes da partida, torcedores se envolveram em brigas generalizadas em diferentes pontos da capital cearense. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 350 pessoas foram capturadas, incluindo adultos e adolescentes, conforme apuração da TV Verdes Mares.

As ocorrências foram registradas em bairros como Barra do Ceará, Edson Queiroz, Bom Jardim e Passaré. Imagens gravadas por testemunhas mostram torcedores trocando socos e chutes em via pública. Pelas imagens, foi possível identificar:

  • Torcedores do Fortaleza brigando entre si
  • Torcedores do Ceará também brigando entre si
  • Confrontos das torcidas rivais uma contra a outra

Na confusão, os suspeitos utilizaram paus, pedras, rojões, socos-ingleses e até artefatos explosivos. Os detidos que tiverem participação comprovada nos confrontos podem ser autuados em crimes como associação criminosa, corrupção de menores, lesão corporal, desacato, desobediência, resistência e tumulto no contexto da Lei Geral do Esporte.

Apreensões e violência contra torcedoras

Em uma das ocorrências, no Bairro Edson Queiroz, equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) capturaram 184 pessoas, sendo 103 adultos e 81 adolescentes, integrantes de ambas as torcidas. Com o grupo, foram apreendidos:

  1. Socos-ingleses
  2. Rojões
  3. Balaclavas
  4. Entorpecentes
  5. Celulares
  6. Isqueiros
  7. Artefatos explosivos artesanais

Além disso, em outro vídeo gravado no mesmo domingo, torcedoras do Fortaleza foram flagradas obrigando torcedoras do Ceará a retirarem camisas do time adversário nas imediações da Arena Castelão. As vítimas chegaram a ficar com partes íntimas expostas após a abordagem violenta, e as camisas teriam sido roubadas pelas torcedoras do time rival. O flagra circulou rapidamente nas redes sociais, gerando indignação.

Investigações em andamento

O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) sobre as mensagens da facção. Em nota, o órgão informou que a Polícia Civil do Ceará apura todas as informações de ações criminosas que chegam ao conhecimento das autoridades policiais. A SSPDS reforçou que setores de Inteligência das Forças de Segurança do Estado auxiliam os trabalhos policiais.

Enquanto isso, o MPCE continua investigando a possível ligação entre as ordens da facção criminosa e as renúncias dos presidentes das torcidas organizadas. O caso destaca a complexa relação entre violência torcedora, crime organizado e segurança pública no estado do Ceará.