Jovem é solto após provar álibi com PIX e vídeos em caso de morte de gestante no PR
Jovem solto após provar álibi com PIX e vídeos no PR

Jovem preso por engano é libertado após comprovar álibi com provas digitais no Paraná

Um jovem de 19 anos, Igor Ryan Camargo Batista, foi preso por engano sob suspeita de envolvimento na morte de uma gestante em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, mas conseguiu provar sua inocência através de evidências digitais robustas. Após quase três dias de detenção, ele teve a liberdade provisória concedida pela Justiça local, após a Polícia Civil e o Ministério Público reconhecerem a falta de provas concretas contra ele.

Álibi comprovado por transações PIX e registros em vídeo

Igor estava a aproximadamente 11 quilômetros do local do crime no momento exato da invasão e do disparo que vitimou Susana Ferreira Correia, de 40 anos, grávida de quatro meses. A defesa apresentou um conjunto de provas que incluiu:

  • Um comprovante de pagamento via PIX realizado em uma lanchonete no bairro Oficinas às 20h48, horário em que o crime ocorreu.
  • Vídeos e imagens do celular de sua namorada, mostrando que ele estava na Avenida Vicente Machado às 20h14, comemorando um título de futebol.
  • Metadados de dispositivos móveis que corroboraram sua localização distante da cena do crime.

O juiz Luiz Carlos Fortes Bittencourt destacou em sua decisão que, considerando o tempo e a distância, era fisicamente impossível para Igor ter participado do homicídio. O delegado responsável pela investigação e o Ministério Público do Paraná concordaram com a revogação da prisão preventiva, baseando-se nesses elementos.

Prisão ocorreu de forma circunstancial e confusa

Segundo o advogado de Igor, Renato Tauille, a prisão foi "circunstancial", decorrente de uma investigação que levou a polícia a um endereço vinculado a um carro usado na fuga dos verdadeiros suspeitos. O veículo, embora já vendido a terceiros, ainda estava registrado em nome do irmão de Igor, o que gerou a confusão inicial.

Igor relatou que, quando abordado pela polícia na noite do crime, imaginou ser uma ação rotineira. "Eu achei que era uma abordagem normal, por ser de noite. Só que eles [policiais] chegaram acusando a gente e eu acabei não entendendo nada. Eu fui saber só quando cheguei na delegacia", contou ele em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no estado.

Ele acrescentou, com um misto de alívio e frustração: "A minha consciência está tranquila hoje e quando eu estava lá dentro também, pois sabia que uma hora eu ia sair e todo mundo ia saber da verdade. Eu espero um pedido de desculpa pelo menos".

Detalhes do crime que vitimou uma gestante

Susana Ferreira Correia foi baleada na cabeça durante uma invasão à sua residência no bairro Neves, na noite de domingo (1º). Ela foi socorrida e internada em estado grave no Hospital Regional, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu dois dias depois. A vítima deixou quatro filhos e esperava o quinto.

De acordo com o delegado Luís Gustavo Timossi, responsável pelo caso, o marido de Susana havia saído de casa quando dois homens invadiram o imóvel. Ao retornar, ele entrou em confronto físico com um dos invasores, e o outro efetuou os disparos que atingiram a gestante. O marido sofreu ferimentos leves.

Câmeras de segurança registraram a fuga dos suspeitos, e a polícia localizou o carro utilizado abandonado no mesmo bairro. Durante patrulhamento, dois homens foram abordados – Igor e outro suspeito de 22 anos, que resistiu à ação policial e acabou baleado. Com ele, foi apreendida uma arma de fogo municiada.

Reflexões sobre a experiência e o futuro

Libertado, Igor expressou o impacto emocional da experiência injusta. "Eu não desejo para ninguém. Claro que quem erra, tem que pagar, mas quando você não deve nada, é diferente. Agora é tentar ignorar, passar por cima, vou voltar a trabalhar e começar do zero", declarou.

O caso evidencia a importância de provas digitais, como transações financeiras e registros de localização, na elucidação de investigações criminais e na garantia de direitos individuais. A Polícia Militar do Paraná foi contactada para se manifestar, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.