Estudante indiano cria influenciadora de direita com IA e engana seguidores de Trump
Indiano cria influenciadora fake com IA e engana trumpistas

Um estudante de medicina de 22 anos, do norte da Índia, conseguiu transformar poucos minutos diários em uma fonte consistente de renda — e, ao mesmo tempo, escancarou uma fragilidade inquietante das redes sociais. Identificado apenas como Sam, o jovem afirmou ser o criador de Emily Hart, uma influenciadora conservadora gerada por inteligência artificial que acumulou seguidores e engajamento com discursos alinhados ao movimento pró-Donald Trump.

Estratégia de monetização

Segundo relato à revista Wired, a personagem foi criada inicialmente como uma forma de ganhar dinheiro extra durante a faculdade. A estratégia, no entanto, rapidamente ganhou escala. Publicando conteúdos sobre temas sensíveis como imigração e aborto, Emily Hart passou a atrair um público fiel — e altamente engajado. “Era fácil”, disse o estudante, em tom controverso, ao descrever a receptividade da audiência.

As contas da influenciadora no Instagram e no Facebook foram posteriormente derrubadas por atividade considerada fraudulenta. Antes disso, porém, o personagem já rendia milhares de dólares mensais, não apenas com engajamento nas redes, mas também com a venda de produtos e assinaturas em plataformas digitais.

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Uso de IA para potencializar o engajamento

A operação foi desenhada com ajuda da própria inteligência artificial. Sam contou que recorreu ao Gemini, sistema do Google, em busca de orientação sobre como tornar a personagem mais atraente e lucrativa. A resposta foi direta: em vez de criar apenas uma “modelo genérica”, ele deveria apostar em um nicho específico — o conservador. A justificativa, segundo o relato, era pragmática: um público mais fiel e com maior poder de consumo.

Procurado, o Google afirmou que a ferramenta responde a comandos dos usuários sem adotar posicionamentos ideológicos próprios, e que, nesse caso, apenas indicou caminhos para atingir um público com características específicas.

Expansão para outras plataformas

Além das redes sociais, o estudante expandiu a presença de Emily Hart para uma plataforma de monetização de conteúdo adulto com IA, onde oferecia assinaturas e conteúdos exclusivos. Também comercializou produtos ligados ao universo político que explorava.

Apesar da repercussão e das críticas, Sam afirma não se arrepender. Ele diz não considerar a operação um golpe, mas sim uma forma eficiente de explorar oportunidades digitais. “Eu gastava de 30 a 50 minutos por dia e ganhava bem. Nunca vi uma maneira mais fácil de fazer dinheiro online”, declarou.

Impacto e reflexões

O caso joga luz sobre um fenômeno cada vez mais presente: a criação de personas artificiais capazes de influenciar opiniões reais — e gerar lucro com isso. O fato é que em um ambiente onde a autenticidade já é frequentemente questionada, a linha entre personagem e manipulação é cada vez mais tênue.

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