
Eis que a justiça finalmente alcança quem deveria proteger. Nesta quinta-feira, a cidade de São Carlos viveu um daqueles momentos que misturam alívio e indignação - o ex-padre João Carlos de Oliveira, já condenado a uma década atrás das grades, foi capturado após mandado judicial.
O caso, que chocou a região anos atrás, envolvia um adolescente de 17 anos. Imagina só: alguém que supostamente representava a fé cometendo tamanha violação de confiança. O julgamento aconteceu lá em 2022, mas a defesa recorreu - claro - e o processo ficou nesse vai e vem jurídico até agora.
O longo braço da lei
O que pouca gente sabe é que esse caso foi tão grave que chegou aos ouvidos do Vaticano. O Papa Francisco pessoalmente demitiu o padre do estado clerical em março do ano passado. Não foi uma simples transferência ou suspensão - foi uma expulsão definitiva do ministério sacerdotal.
E olha que interessante: normalmente processos canónicos assim levam anos, mas neste caso a Congregação para a Doutrina da Fé agiu relativamente rápido. Isso mostra a gravidade das acusações.
Os detalhes que arrepiam
Os crimes ocorreram entre 2016 e 2017, sempre na mesma horrível rotina. O ex-padre aproveitava que o adolescente fazia serviços domésticos na casa paroquial para cometer seus abusos. Uma situação de completa vulnerabilidade, né?
E não foi só uma vez. Foram várias ocasiões, sempre com o mesmo modus operandi: ele pedia massagens e partia para os abusos. O adolescente, é claro, ficou traumatizado - e quem não ficaria?
Até o local dos crimes foi específico: a casa paroquial da Igreja São João Batista, no bairro Cidade Aracy. Um lugar que deveria ser sagrado transformado em cenário de horror.
A defesa que não convenceu
O advogado do ex-padre, é claro, tentou tudo. Alegou que a prisão não era necessária porque o cliente não representava perigo e sempre compareceu às audiências. Mas o tribunal não comprou essa ideia - afinal, estamos falando de crimes hediondos.
O desembargador Édson Luiz Zanoni foi categórico: "A gravidade concreta dos delitos praticados pelo paciente impõe a custódia cautelar". Ou seja, algumas coisas são tão sérias que não dá para esperar o trânsito em julgado.
E tem mais: o Ministério Público lembrou que o ex-padre já tinha sido condenado em primeira instância, então o risco de ele tentar fugir era real. A justiça concordou.
Um final que não termina
Agora ele vai responder em liberdade? Não mesmo. A decisão é da 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, então não tem mais para onde correr.
O pior de tudo? Esse não é o único processo contra ele. Existe outro caso similar correndo na Justiça - outra vítima, outro conjunto de traumas.
Enquanto isso, a comunidade tenta seguir em frente, mas marcas assim não saem fácil. Resta torcer para que a justiça continue sendo feita - não só neste caso, mas em todos os outros que ainda estão nas sombras.