Esposa de médico acusado de crimes sexuais se recusa a depor na Polícia Civil do RS
A esposa do cardiologista Daniel Pereira Kollet, preso preventivamente sob suspeita de cometer crimes sexuais contra pacientes, decidiu exercer seu direito ao silêncio durante depoimento à Polícia Civil. Ela compareceu à delegacia de Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, na quinta-feira (9), acompanhada de seu advogado. A mulher, que também é profissional da área da saúde, trabalhava no consultório do marido em Taquara, local onde os supostos crimes teriam ocorrido, atuando inclusive na recepção, conforme informações do delegado Valeriano Garcia Neto.
Número de possíveis vítimas chega a 40 e defesa contesta acusações
O caso já registra 40 possíveis vítimas, segundo atualização da manhã desta sexta-feira (10). Todas são mulheres que formalizaram ocorrências e já prestaram depoimentos, sendo a maioria pacientes do cardiologista. A polícia investiga crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável.
O advogado Ademir Campana, que representa tanto a esposa quanto o médico, afirmou que sua cliente "nunca presenciou qualquer conduta relacionada às acusações dirigidas ao seu marido, tampouco teve conhecimento dos fatos". Campana também sustentou que "há menções envolvendo pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes do profissional investigado".
Método criminoso envolvia dopagem com medicação controlada
Segundo o delegado Valeriano, uma das pacientes relatou que Kollet prescreveu o uso de medicação controlada e solicitou que ela retornasse periodicamente ao consultório. "Foi abusada várias vezes, porque ele mandava voltar na clínica. Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática. A vítima andava dopada, se arrastando. Ela está vulnerável, então configura estupro de vulnerável", explicou o delegado.
A mulher teria desconfiado da situação e levado uma familiar para uma consulta, ocasião em que o médico não a tocou. Posteriormente, ela buscou outro profissional que afirmou não haver problema de saúde que justificasse a medicação.
Buscas e apreensões ampliam investigação
Na quarta-feira (8), agentes policiais realizaram buscas em endereços ligados a Kollet, apreendendo pendrives, telefones e computadores. O próximo passo será analisar o conteúdo desse material para fortalecer as investigações.
O advogado Campana informou que já protocolou pedido de liberdade para o cardiologista e reafirmou que seu cliente "mantém a negativa quanto às imputações que lhe são atribuídas". A defesa emitiu uma nota à imprensa destacando que agora tem acesso integral aos inquéritos e que a maioria dos relatos remonta a anos atrás, prometendo analisar cada caso com cautela.
Conselho de Medicina e denúncias anônimas
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos e já iniciou medidas administrativas para investigar o caso, classificando a situação como grave e prometendo apuração rigorosa. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (51) 98443-3481.
O caso continua em desenvolvimento, com a polícia analisando evidências e a defesa preparando sua estratégia jurídica, enquanto a comunidade aguarda novos desdobramentos desta investigação que chocou o estado.



