Empresário foragido por sete meses é capturado na Bahia após 23 anos do crime contra a esposa
O empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no último sábado (17) após permanecer foragido por sete meses. O caso, que ganhou notoriedade nacional, remonta a setembro de 2002, quando ele, então com 38 anos e atuante no setor têxtil, assassinou sua companheira, Fernanda Orfali, de 28 anos, dentro do apartamento do casal no bairro de Higienópolis, região central de São Paulo.
Detalhes do crime que chocou o país
O homicídio ocorreu após uma discussão conjugal, motivada, segundo as investigações, por descobertas de traições e uso de drogas por parte de Nahas. O inquérito policial concluiu que Fernanda foi morta com um tiro no peito, descartando a hipótese de suicídio sustentada pela defesa ao longo do processo. Laudos periciais foram decisivos, apontando a ausência de resíduos de pólvora nas mãos da vítima, um elemento crucial em casos de suicídio com arma de fogo.
A arma utilizada no crime pertencia a Nahas e não estava registrada junto às autoridades. Para a acusação, o empresário cometeu o assassinato porque se sentiu ameaçado com a possibilidade de Fernanda pedir divórcio e reivindicar a partilha dos bens. Relatos indicam que a mulher se trancou em um closet para se proteger, mas Nahas teria arrombado a porta e efetuado dois disparos, sendo que o segundo atravessou a janela do apartamento.
Longo processo judicial e condenação definitiva
Sérgio Nahas respondeu ao processo em liberdade durante anos, apresentando recursos contra decisões judiciais. Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo o condenou a sete anos de prisão em regime semiaberto. A defesa recorreu, e o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2025, a Corte confirmou a condenação e aumentou a pena para oito anos e dois meses de prisão em regime fechado, por unanimidade. Após essa decisão, a Justiça paulista expediu mandado de prisão, mas Nahas conseguiu fugir e permaneceu foragido até sua captura.
Prisão em condomínio de luxo na Bahia
A prisão ocorreu na Praia do Forte, em Mata de São João, litoral norte da Bahia, um destino turístico de luxo onde o casal havia passado a lua de mel meses antes do crime. Nahas estava hospedado em um condomínio de alto padrão e foi localizado após ser identificado por uma câmera com sistema de reconhecimento facial.
Com o empresário, a Polícia Militar apreendeu:
- 17 pinos de cocaína
- Três celulares
- Um carro da marca Audi
- Cartões de crédito
- Medicamentos de uso contínuo
Defesa alega injustiça e falhas processuais
A defesa de Sérgio Nahas, representada pela advogada Adriana Machado e Abreu, emitiu uma nota nesta quinta-feira (22) classificando o caso como "um dos casos de maior injustiça do nosso país". A defesa argumenta que há muitas falhas no processo e que continuará utilizando medidas jurídicas cabíveis.
Segundo a defesa, Nahas já morava na Bahia há alguns anos, antes da expedição do mandado de prisão, e é uma pessoa idosa com graves problemas de saúde, sem interesse em descumprir determinações judiciais. A advogada afirmou que há pedidos em andamento nas Cortes Superiores, cujo andamento foi comprometido devido ao recesso.
Este caso continua a gerar debates sobre a eficácia do sistema judicial brasileiro e a busca por justiça em crimes que perduram por décadas.