Empresário preso 23 anos após matar esposa: defesa alega 'injustiça' e falhas no processo
Empresário preso 23 anos após matar esposa: defesa alega injustiça

Empresário preso 23 anos após crime: defesa alega 'injustiça' e falhas processuais

A defesa do empresário Sérgio Nahas, preso na Bahia após 23 anos do assassinato de sua esposa, Fernanda Orfali, emitiu uma nota nesta quinta-feira (22) contestando a condenação. A advogada Adriana Machado e Abreu afirmou que o caso apresenta "muitas falhas no processo" e o classificou como "um dos casos de maior injustiça do nosso país". Ela destacou que continuará utilizando medidas jurídicas cabíveis para evitar que um inocente permaneça preso.

Contexto do crime e argumentos da defesa

O crime ocorreu em setembro de 2002, em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, quando Nahas, então com 38 anos, atirou em Fernanda, de 28 anos, após uma discussão motivada por traições e uso de drogas. A defesa sempre sustentou que Fernanda cometeu suicídio, alegando que ela sofria de depressão. No entanto, laudos periciais não encontraram vestígios de pólvora em suas mãos, elemento crucial para casos de suicídio por arma de fogo.

A acusação, por sua vez, argumentou que Nahas matou a esposa por se sentir ameaçado após ela descobrir as traições e uso de drogas, além de preocupações com a partilha de bens em um possível divórcio. Segundo a Promotoria, ele arrombou a porta de um closet onde Fernanda se escondia e efetuou dois disparos, sendo que um atingiu a vítima e o outro saiu pela janela.

Trajetória judicial e prisão recente

Nahas respondeu ao processo em liberdade por anos, recorrendo das decisões judiciais. Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo o condenou a 7 anos de prisão em regime semiaberto. A defesa recorreu, e o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2025 confirmou a condenação e aumentou a pena para 8 anos e 2 meses em regime fechado, por unanimidade.

Após a decisão do STF, a Justiça de São Paulo expediu um mandado de prisão, mas Nahas permaneceu foragido até ser preso no sábado (17) em Praia do Forte, Bahia, destino turístico onde o casal passou a lua de mel. Ele foi identificado por câmeras de monitoramento facial e estava hospedado em um condomínio de luxo. Com ele, a polícia encontrou 17 pinos de cocaína, três celulares, um carro Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo.

Alegações da defesa sobre saúde e processo

Em sua nota, a defesa afirmou que Nahas já morava na Bahia há alguns anos antes da expedição do mandado de prisão e que ele é uma "pessoa idosa e com graves problemas de saúde", sem interesse em descumprir determinações judiciais. A advogada também mencionou que há pedidos em andamento nas Cortes Superiores, cujo andamento foi comprometido devido ao recesso judicial.

Este caso continua a gerar debates sobre a eficácia do sistema judiciário e os direitos dos acusados, com a defesa insistindo na revisão do processo para corrigir o que considera injustiças.