Empresário foragido por matar esposa em 2002 é preso na Bahia com cocaína e carro de luxo
O empresário paulista Sérgio Nahas, condenado por assassinar a esposa Fernanda Orfali em 2002, foi finalmente preso no sábado (17) em Praia do Forte, um destino turístico no litoral norte da Bahia. A captura ocorreu após mais de 23 anos do crime, marcando o fim de uma longa fuga que envolveu recursos judiciais e inclusão na lista da Interpol.
Detalhes da prisão em condomínio de luxo
Nahas, que atualmente tem 61 anos, foi localizado através de uma câmera de reconhecimento facial instalada na vila de Praia do Forte, que pertence ao município de Mata de São João. Ele estava hospedado em um condomínio de luxo da região, onde a polícia realizou a abordagem.
Durante a prisão, foram apreendidos com o empresário:
- 13 pinos de cocaína
- Três celulares
- Um carro da marca Audi
A presença das drogas adiciona novas acusações ao histórico criminal de Nahas, que já cumpria pena por homicídio.
Cronologia do caso que começou em 2002
O crime que levou à condenação de Sérgio Nahas ocorreu em setembro de 2002, quando ele assassinou a esposa Fernanda Orfali, então com 28 anos, no apartamento do casal em Higienópolis, São Paulo. Segundo as investigações, Fernanda tentou se trancar em um closet para se proteger, mas Nahas arrombou a porta e efetuou dois disparos, sendo o primeiro fatal.
Inicialmente, a defesa tentou alegar suicídio, mas a perícia descartou essa versão ao não encontrar resíduos de pólvora nas mãos da vítima. Nahas chegou a ser preso por porte ilegal de arma, mas foi liberado após 37 dias por decisão judicial.
Longo processo judicial e condenação definitiva
O caso se arrastou por anos nos tribunais. Em 2018, Nahas foi condenado pelo Tribunal do Júri a sete anos de prisão em regime semiaberto por homicídio simples. É importante destacar que, na época do crime, ainda não vigoravam a Lei Maria da Penha (2006) nem a Lei do Feminicídio (2015), o que influenciou na qualificação jurídica do delito.
O Ministério Público recorreu da decisão, levando o caso ao Supremo Tribunal Federal. Em maio de 2025, quase 23 anos após o assassinato, o STF condenou definitivamente Sérgio Nahas a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado.
Fuga e captura através de tecnologia
Com a condenação confirmada e os recursos esgotados, a Justiça de São Paulo expediu o mandado de prisão em 25 de junho de 2025. Desde então, Nahas estava foragido e teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), lista utilizada para localizar foragidos internacionais.
A ironia do destino fez com que a prisão ocorresse justamente em Praia do Forte, o mesmo destino turístico onde o casal havia passado a lua de mel antes do crime. A tecnologia de reconhecimento facial foi crucial para identificar o empresário, demonstrando como ferramentas modernas estão auxiliando na captura de criminosos foragidos.
Após a prisão, Sérgio Nahas foi encaminhado para cumprir sua pena, encerrando um capítulo que durou mais de duas décadas e envolveu múltiplas instâncias do sistema judiciário brasileiro.