Defesa de acusada de feminicídio em MT apresenta laudo psiquiátrico para exame de insanidade mental
Defesa de acusada de feminicídio em MT apresenta laudo psiquiátrico

Defesa de acusada de feminicídio em MT apresenta laudo psiquiátrico para exame de insanidade mental

A defesa de Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos, acusada de assassinar a adolescente Emilly Beatriz Azevedo Sena para roubar o bebê dela, protocolou nesta terça-feira (20) um parecer técnico psiquiátrico. O objetivo é reforçar o pedido feito em novembro de 2025 para a instauração de um exame de insanidade mental da acusada, após o júri pelo assassinato ter sido cancelado devido à solicitação da defesa.

Processo judicial e recursos

O pedido inicial havia sido negado em primeira instância, mas foi acolhido por unanimidade pela 3ª Câmara Criminal, que determinou o retorno do processo à vara de origem. No entanto, o Ministério Público do estado entrou com recurso especial contra a solicitação, argumentando violação do Código de Processo Penal. A legislação prevê exame de sanidade mental apenas quando houver dúvida plausível sobre a integridade mental do acusado.

De acordo com o advogado de defesa, Ícaro Vione, o parecer técnico visa agora garantir a aprovação da realização do exame. Caso a insanidade mental seja comprovada, Nataly Helen deverá cumprir pena fora do presídio comum, em instituição adequada para tratamento psiquiátrico.

Detalhes do laudo psiquiátrico

Segundo o documento da defesa, a avaliação buscou verificar se havia fundamentação técnica suficiente para a instauração do incidente de insanidade mental. A equipe de peritos realizou entrevistas com familiares da ré, que relataram que Nataly apresentava, desde a infância, pensamentos fantasiosos e um comportamento considerado difícil.

Durante a entrevista clínica, Nataly afirmou ter passado por diversos abortos ao longo da vida, incluindo um após um procedimento de laqueadura tubária. Ela também mencionou questões espirituais, dizendo ouvir vozes e estar possuída. Conforme o laudo, esses detalhes não foram confirmados na investigação, e a acusada declarou não se recordar dos fatos, demonstrando intensa culpa e angústia religiosa.

A avaliação técnica apontou indícios de que Nataly estaria sob o efeito de drogas, com desorganização do pensamento, características de delírios místicos e possíveis transtornos mentais graves, agravados pela ausência de tratamento adequado. As hipóteses diagnósticas incluem:

  • F19.5 – Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e outras substâncias psicoativas – transtorno psicótico
  • F23 – Transtornos psicóticos agudos e transitórios
  • F60.3 – Transtorno de personalidade com instabilidade emocional (Transtorno de Personalidade Borderline)

Os peritos destacaram a necessidade de um aprofundamento pericial multiprofissional para definir com precisão a existência de psicopatologias e as condições de imputabilidade da acusada à época dos fatos.

Contexto do crime

Nataly é acusada de matar Emilly, que estava grávida de nove meses, para roubar o bebê. Em julho, o juízo da 14ª Vara Criminal determinou que ela fosse submetida a júri popular. Ela foi denunciada por oito crimes:

  1. Feminicídio
  2. Tentativa de aborto
  3. Subtração de recém-nascido
  4. Parto suposto
  5. Ocultação de cadáver
  6. Fraude processual
  7. Falsificação de documento particular
  8. Uso de documento falso

De acordo com a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nataly asfixiou Emilly com motivo torpe e cruel, utilizando recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A recém-nascida teve alta médica do Hospital Beneficente Santa Helena, em Cuiabá, e está sob os cuidados da família materna.

As investigações revelaram que a suspeita simulou uma gravidez por meses, apresentando exames falsos e fotos adulteradas. A vítima foi atraída com a promessa de doações de roupas para uma casa no bairro Jardim Florianópolis, em Cuiabá, onde foi morta. Nataly confessou o crime durante interrogatório, afirmando ter agido sozinha para ficar com o bebê.