Condenação histórica em Limeira: homem recebe 150 anos por crimes contra adolescente
Um homem de 33 anos foi condenado a uma pena de 150 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por uma série de crimes graves envolvendo um adolescente de 13 anos em Limeira, interior de São Paulo. A sentença, expedida pela 2ª Vara Criminal do município na última sexta-feira, abrange os crimes de estupro de vulnerável, produção e comercialização de vídeo de abuso infantil e favorecimento da prostituição.
Uso de posição religiosa para aliciamento
Segundo os autos do processo, o condenado utilizou sua posição como coordenador de mídias sociais de uma igreja evangélica da cidade para aproximar-se da vítima. O adolescente participava de um grupo de jovens da instituição, onde os dois se conheceram durante cultos e atividades religiosas.
Os abusos sexuais e as gravações ocorriam principalmente após os eventos religiosos, quando o homem se oferecia para levar o adolescente para casa ou o convidava para permanecer em sua residência. A decisão judicial destacou que o ambiente religioso foi central para a prática dos crimes, criando uma relação de confiança que foi posteriormente violada.
Sistema elaborado de exploração
As investigações da Polícia Civil revelaram um esquema bem estruturado de exploração. Mensagens obtidas em aplicativos de conversa mostraram:
- Negociações detalhadas sobre vídeos de conteúdo sexual
- Definição de valores para cada produção
- Roteiros específicos para as gravações
- Orientações exigidas sobre a aparência física da vítima
As provas financeiras demonstraram transferências frequentes via Pix para a conta do adolescente, que eram tratadas pelo homem como "salário". O réu ainda estabeleceu um sistema de descontos quando o jovem se recusava a praticar determinados atos.
Estratégias de controle e manipulação
De acordo com a sentença, o condenado utilizava diversas formas de aliciamento e controle sobre a vítima:
- Pagamentos em dinheiro regularmente
- Moedas virtuais para jogos online
- Presentes como roupas e outros itens
- Uma narrativa de trabalho em redes sociais para justificar os pagamentos
Essa mesma narrativa foi apresentada à mãe do adolescente, que inicialmente acreditava que seu filho estava realizando um trabalho legítimo de divulgação digital. O juiz Dr. Guilherme Lopes Alves Lamas destacou em sua decisão que essa contraprestação financeira foi essencial para caracterizar o crime de favorecimento da prostituição de vulnerável.
Descoberta e investigação
A mãe do adolescente descobriu os crimes de forma acidental, ao utilizar o computador do filho e visualizar mensagens que revelavam as negociações dos vídeos e as instruções para as gravações. Após confrontar o filho e confirmar a situação, ela imediatamente denunciou o caso à polícia e entregou o celular com todas as evidências.
A Polícia Civil reuniu um conjunto robusto de provas, incluindo:
- Evidências digitais das conversas e negociações
- Extratos bancários comprovando as transferências
- Depoimentos da vítima e testemunhas
- Confissão parcial do réu
As investigações comprovaram que o envolvimento do adulto com o adolescente ocorreu de fevereiro até setembro de 2025, quando ele foi finalmente preso.
Decisão judicial e consequências
Na sentença, o juiz foi enfático ao descrever o comportamento do réu como "uma atividade profissional, doentia, a merecer maior reprovabilidade". A decisão incluiu:
- Manutenção da prisão do condenado
- Pagamento de indenização à vítima
- Pagamento de multa e honorários advocatícios
- Negação do direito de recorrer em liberdade
O magistrado justificou a manutenção da prisão destacando que o réu permaneceu preso durante todo o processo e que não houve fatos novos que justificassem sua soltura. Em suas palavras, o comportamento demonstrado "impede que volte ao convívio social enquanto tiver vitalidade para praticar esses fatos com terceiros".
Proteção à vítima e canais de denúncia
Para proteger a identidade da vítima, o nome do condenado não foi divulgado. O caso serve como alerta sobre a importância da vigilância e da denúncia em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.
Em situações de suspeita ou confirmação de abuso sexual infantil, é fundamental buscar ajuda através dos canais oficiais:
- Disque 190 para denúncia à Polícia Militar
- Disque 180 para orientações da Central de Atendimento à Mulher
- Disque 100 para violações de direitos humanos
- Delegacias especializadas, como as Delegacias de Defesa da Mulher
Este caso em Limeira representa um marco na luta contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, demonstrando a eficácia do sistema de justiça quando há colaboração entre vítimas, familiares e autoridades policiais.