Homem é condenado a mais de 150 anos por abusar de adolescente em Limeira
Condenação de 150 anos por abuso sexual em igreja de Limeira

Condenação histórica em Limeira por crimes sexuais contra adolescente

A Justiça de Limeira, no interior de São Paulo, emitiu uma sentença severa na última sexta-feira, dia 23, condenando um homem de 33 anos a mais de 150 anos de prisão por crimes sexuais cometidos contra um adolescente de apenas 13 anos. O caso, que chocou a comunidade local, envolveu uma série de abusos que se estenderam por meses, com o acusado utilizando sua posição dentro de uma igreja evangélica para facilitar os crimes.

Modus operandi cruel e calculado

De acordo com a sentença da 2ª Vara Criminal de Limeira, o homem, que trabalhava como coordenador de mídias sociais na igreja, aproveitou-se dessa função para se aproximar da vítima e de sua família. Ele convenceu a mãe do adolescente de que o jovem realizava um trabalho legítimo de divulgação de conteúdos nas redes sociais, recebendo pagamentos por comissão. Na realidade, essas transferências bancárias, que variavam de pequenas quantias a centenas de reais, serviam como instrumento de controle sobre o adolescente.

As mensagens trocadas entre o réu e a vítima revelaram um sistema perverso de descontos. Caso o adolescente se recusasse a realizar algum ato sexual previsto em roteiros elaborados pelo homem, o valor do suposto salário era reduzido. Em uma das conversas, o acusado afirmou explicitamente: “Mas se não rolar, desconto do salário. Isso eu mantenho”. Em outro diálogo, ele chegou a fazer cálculos detalhados desses descontos, demonstrando um planejamento meticuloso para manter o domínio sobre a vítima.

Produção e comercialização de vídeos abusivos

A sentença judicial apontou que o homem produziu e filmou cenas de abuso envolvendo o adolescente em pelo menos dez ocasiões distintas. As gravações seguiam roteiros previamente enviados por mensagens, com orientações específicas sobre aparência física e atos a serem realizados. Os vídeos não eram apenas para uso pessoal, mas também eram comercializados, conforme evidenciado por negociações e definições de valores encontradas nas conversas analisadas pela Justiça.

Para enganar a família, o réu orientava o adolescente a dizer à mãe que presentes, como roupas ou objetos, seriam abatidos do suposto pagamento pelo trabalho de mídia. Esse mecanismo reforçava a fachada de normalidade e permitia que os abusos continuassem sem suspeitas.

Igreja como espaço de confiança violado

O homem condenado e a vítima se conheceram em 2023 dentro da igreja evangélica. A aproximação se intensificou após um acampamento religioso e encontros do grupo de jovens. A mãe do adolescente relatou à Justiça que permitia o convívio por confiar no homem, que era membro da congregação há dois anos e responsável pelas atividades de mídia. Muitos dos abusos e gravações ocorriam logo após os cultos, quando o réu oferecia carona ao adolescente, aproveitando-se da condição de autoridade e hospitalidade proporcionada pelo ambiente religioso.

Descoberta do esquema e repercussões

A mãe do adolescente descobriu os crimes ao utilizar o computador do filho e visualizar mensagens que revelavam a negociação dos vídeos e instruções para as gravações. Após confirmar os fatos com o adolescente, ela denunciou o caso à polícia e entregou o celular com as provas. Em audiência, a mãe informou que, após tornar o caso público, tomou conhecimento de que o homem havia feito propostas semelhantes a outros jovens da igreja, mas muitos pais optaram por não denunciar, possivelmente por medo ou vergonha.

O juiz responsável pelo caso negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, destacando que ele permaneceu preso durante todo o processo e que não houve fatos novos que justificassem a soltura. A defesa do condenado não foi localizada para comentários até a última atualização desta reportagem.

Como denunciar casos de abuso sexual infantil

Em casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes, é fundamental buscar ajuda imediata. As autoridades recomendam as seguintes ações:

  • Disque 190 para denunciar à Polícia Militar em situações de emergência.
  • Disque 180 para obter orientações ou fazer denúncias na Central de Atendimento à Mulher.
  • Disque 100 para relatar violações de direitos humanos, incluindo violência contra crianças, adolescentes e mulheres.
  • Denuncie presencialmente em qualquer delegacia do país, preferencialmente nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), que são especializadas no atendimento a vítimas de violência.

Este caso em Limeira serve como um alerta sobre a importância de vigilância e denúncia para proteger os mais vulneráveis em nossa sociedade.