Chacina do DF: Réus Algemados em Primeiro Dia de Julgamento que Durou 10 Horas
Chacina do DF: Réus Algemados em Julgamento de 10 Horas

Chacina do DF: Primeiro Dia de Julgamento dos Cinco Réus Algemados Dura Mais de 10 Horas

O primeiro dia do julgamento dos cinco réus acusados de matar dez pessoas da mesma família no Distrito Federal, episódio que ficou conhecido como a maior chacina da história da capital, durou mais de 10 horas no Tribunal do Júri de Planaltina nesta segunda-feira (13). A sessão começou por volta das 9h e foi encerrada pouco antes de 19h50, com previsão de retomada nesta terça-feira (14).

Testemunhas e Andamento do Processo

A previsão inicial era de que até 12 pessoas fossem ouvidas nesta primeira sessão, mas o júri ouviu seis testemunhas ao longo do dia: um agente da Polícia Civil do DF, dois agentes da Polícia Civil de Goiás, um policial rodoviário federal e o pai de uma das vítimas. O delegado Achilles Benevides Júnior, que acompanhou a investigação desde o início, falou por cerca de duas horas, sendo considerado uma das principais testemunhas do processo. Ele detalhou como o caso começou e como a apuração avançou até a identificação dos suspeitos.

Ao todo, 23 testemunhas devem ser ouvidas ao longo do julgamento, entre policiais que participaram das investigações e pessoas indicadas pela defesa e pela acusação. A expectativa é que o julgamento se desenrole até domingo (19).

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Clima no Plenário e Comportamento dos Réus

Os cinco réus – Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva – acompanharam o julgamento algemados. Eles ficaram sentados lado a lado, mas foram impedidos pelas regras do julgamento de se comunicarem uns com os outros. Nenhum deles demonstrou emoção, arrependimento ou constrangimento durante a sessão.

Durante os depoimentos, advogados de defesa e acusação fazem perguntas às testemunhas. Familiares das vítimas também acompanham o julgamento no fórum, observando atentamente cada detalhe do processo.

Motivação e Detalhes dos Crimes

Os crimes foram praticados entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. A Polícia Civil do DF concluiu que a chacina foi motivada pela posse de uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em R$ 2 milhões, na região do Paranoá, onde algumas das vítimas moravam. Mesmo antes dos crimes, as terras já eram alvo de uma disputa na Justiça.

Para os investigadores, os criminosos acreditavam que, sem herdeiros, poderiam assumir a posse das terras e vendê-las posteriormente. Em 2023, a polícia afirmou que dez pessoas, inclusive três crianças, foram mortas para que não houvesse herdeiros para o terreno.

Vítimas e Cronologia dos Fatos

As vítimas do crime são: Elizamar Silva, de 39 anos, cabeleireira; Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos, marido de Elizamar Silva; Rafael da Silva, de 6 anos, filho de Elizamar e Thiago; Rafaela da Silva, de 6 anos, filha de Elizamar e Thiago; Gabriel da Silva, de 7 anos, filho de Elizamar e Thiago; Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos, pai de Thiago e sogro de Elizamar; Renata Juliene Belchior, de 52 anos, mãe de Thiago e sogra de Elizamar; Gabriela Belchior, de 25 anos, irmã de Thiago e cunhada de Elizamar; Cláudia Regina Marques de Oliveira, de 54 anos, ex-mulher de Marcos Antônio; e Ana Beatriz Marques de Oliveira, de 19 anos, filha de Cláudia e Marcos Antônio.

No dia 12 de janeiro de 2023, a cabeleireira Elizamar da Silva desapareceu com três filhos pequenos. Segundo a polícia, ela teria saído de casa com um carro para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior. No dia seguinte, o veículo dela foi encontrado com os quatro corpos queimados dentro, perto de Cristalina (GO), no Entorno do DF. O marido dela também era considerado como desaparecido.

Três dias depois, familiares reportaram o desaparecimento de mais três pessoas da família: o pai, a mãe e uma irmã de Thiago – respectivamente Marcos Antônio Lopes de Oliveira, Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior. O carro de Marcos Antônio, sogro de Elizamar, foi encontrado carbonizado com dois corpos dentro, no fim de semana do desaparecimento da família. Posteriormente, as investigações confirmaram que eles eram de Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior.

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Além da família de Elizamar, a polícia também registrou o sumiço de Claudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex-mulher e filha de Marcos Antônio, respectivamente. O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado perto da casa usada como cativeiro pelos criminosos, em Planaltina. No dia 17 de janeiro, foram encontrados os três últimos corpos, que foram identificados como Thiago Belchior, Claudia Regina Marques e Ana Beatriz Marques.

Acusações e Penas em Jogo

Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estão: homicídios qualificados, com pena de 12 a 30 anos de prisão; extorsão, com pena de quatro a 10 anos de prisão; roubo, com pena de quatro a 10 anos de prisão; sequestro, com pena de dois a oito anos de prisão; constrangimento ilegal, com pena de três meses a um ano de prisão; fraude processual, com pena de três meses a dois anos de prisão; corrupção de menores, com pena de um a quatro anos de prisão; e ocultação e destruição de cadáver, com pena de um a três anos de prisão.