Caso Dagmar: corpo de idosa desaparecida é sepultado em Bauru após descoberta em poço
Caso Dagmar: corpo de idosa é enterrado em Bauru após achado em poço

Caso Dagmar: corpo de idosa que estava desaparecida é enterrado em Bauru

Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, foi sepultada nesta sexta-feira (23) no Cemitério do Ypê, em Bauru (SP), após seu corpo ser encontrado em um poço de cerca de 30 metros de profundidade no sítio onde residia. A idosa, conhecida por vender ovos e leite orgânicos nas feiras da cidade, vivia sozinha na propriedade rural na região do Rio Verde desde a morte do marido há quatro anos.

Vida simples e dedicação aos animais

Dagmar mantinha uma rotina simples, cuidando do sítio e dos animais, incluindo quatro cachorros que eram sua grande paixão. "A maior preocupação dela sempre foram os animais", relatou uma amiga. Após seu desaparecimento, os cães foram adotados por amigos e vizinhos, e durante as escavações, trabalhadores da Prefeitura de Bauru auxiliaram em seus cuidados.

A afilhada Dulcineia Miragaia, que mora em Valinhos (SP), descreveu Dagmar como uma pessoa amável e generosa, lembrando da infância no sítio: "Ela foi uma pessoa tão boa para todos. Amiga, amável e apaixonada pelos animais".

Suspeitas e prisão de caseiros

O desaparecimento de Dagmar foi registrado oficialmente em 22 de dezembro, após ela ser vista pela última vez no dia 19. As investigações levaram à prisão do casal de caseiros Paulo Henrique Vieira, 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, 40 anos, que confessaram informalmente agredir a idosa com uma paulada na cabeça e jogar seu corpo no poço.

Vizinhos relataram que o casal usava frequentemente o carro de Dagmar e recebia ajuda financeira constante. "Ela deu muitos presentes, deu muitas coisas para eles. No fim, eles não faziam mais nada. Quem trabalhava era ela", afirmou Francisco Aparecido Lopes Barbosa, morador da região.

A Polícia Civil investiga o caso como latrocínio e ocultação de cadáver, com possível motivação financeira. Um ferimento compatível com paulada foi encontrado na cabeça da vítima, e a ausência de terra no corpo indica que ela foi jogada no poço já sem vida. A polícia também apura um possível envolvimento do filho adolescente do casal.

Operação complexa de resgate

As escavações no poço, iniciadas em 30 de dezembro, envolveram cerca de 30 pessoas, incluindo 12 bombeiros, e duraram quase três horas para retirar o corpo. A casa de Dagmar foi demolida para permitir o acesso seguro ao maquinário pesado.

O coordenador da Secretaria de Obras de Bauru, Téo Zacarias, explicou: "Cada célula tem cerca de 70 centímetros de altura e precisa ser retirada uma a uma. Para isso, é necessário espaço, e a casa acabava atrapalhando". Outra dificuldade foi a retirada de sacos de adubo jogados sobre o corpo para mascarar o odor.

Sepultamento emocionante

O sepultamento contou com a presença de familiares e amigos, marcado por emoção e revolta. "É muito triste porque ela era uma pessoa maravilhosa. 40 anos que ela trabalhava aqui em Bauru. Um choque, uma coisa muito cruel", disse a amiga Caroline Ferreira da Silva.

O sobrinho Roberto Streger desabafou: "Pra gente foi um baque, um choque muito grande. O natal foi bem delicado. Agora a justiça tem que fazer a parte dela".

O caso continua sob investigação, com os suspeitos presos e a comunidade de Bauru em luto pela perda de uma figura querida da região.