Polícia retoma buscas por cabeça de vítima encontrada decapitada e carbonizada no Espírito Santo
A Polícia Civil do Espírito Santo retomou, nesta sexta-feira (6), as diligências para tentar localizar a cabeça de Dante de Brito Michelini, de 76 anos. O corpo da vítima foi encontrado em estado de carbonização e decapitação em um sítio localizado em Meaípe, município de Guarapari. A identificação foi confirmada pela Polícia Científica por meio de exame papiloscópico, que analisa impressões digitais, palmares e plantares.
Operação com cães farejadores e busca minuciosa na propriedade
As buscas foram concentradas no próprio sítio onde o corpo foi descoberto, contando com o apoio de cães farejadores da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. Apesar dos esforços intensivos, a cabeça da vítima ainda não havia sido localizada até o momento da última atualização desta reportagem. Em entrevista à coluna Vilmara Fernandes, da Rede Gazeta, o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, forneceu detalhes sobre a operação.
"A equipe da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari, com apoio do chefe da DHPP de Vitória, percorreu toda a área. Chegou até a ser cogitado que ela [a cabeça] teria sido levada por um animal, mas não foram encontrados rastros de que isso tenha ocorrido", explicou o delegado.
Uma piscina no sítio, que apresentava odor semelhante ao de corpo em decomposição, chegou a ser esvaziada completamente. No entanto, no local foram encontrados apenas restos de duas tartarugas, descartando a hipótese inicial.
Detalhes do crime e nova fase da investigação
Segundo o delegado Arruda, a decapitação foi realizada com uma faca afiada, de forma especializada. "Tudo indica que não houve uso, por exemplo, de um machado", afirmou. A partir de agora, além das buscas contínuas na propriedade, a investigação passa a focar intensamente na rotina da vítima.
A polícia vai ouvir familiares e pessoas que tiveram contato recente com Dante Michelini para entender com quem ele convivia, quais foram seus últimos encontros e os contatos feitos antes da morte. Um dos pontos que está sendo apurado é a informação de que a família teria colocado o sítio à venda, o que pode oferecer pistas sobre motivações ou circunstâncias do crime.
Contexto histórico: a ligação com o caso Araceli
Dante de Brito Michelini foi um dos acusados pela morte da menina Araceli Cabrera Crespo, em 1973, no Espírito Santo – um dos crimes mais emblemáticos de violência contra crianças no Brasil. A menina, então com 8 anos, foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória.
Em 1980, Dante chegou a ser condenado, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Após uma nova análise do processo, que se estendeu por cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas. O crime acabou sendo arquivado e nunca teve responsáveis punidos.
Em memória à menina Araceli, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000. Todos os anos, nesta data, a impunidade sobre a morte de Araceli é lembrada e diversas atividades para discutir o tema são realizadas em todo o país.
Atualizações sobre o caso e andamento das investigações
O corpo de Dante Michelini foi encontrado na terça-feira (3) em uma estrutura incendiada dentro da propriedade, após uma testemunha estranhar a ausência do dono do sítio e encontrar sinais de destruição no local. A causa da morte ainda está sendo investigada e é tratada como homicídio pela Polícia Civil.
A Polícia Científica do Espírito Santo informou, na manhã de quinta-feira (5), que o corpo foi identificado por meio de exame papiloscópico, permitindo que familiares procedam com a liberação para os ritos fúnebres. Nesta sexta-feira (6), a corporação reiterou que o caso segue sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari.
Até o momento, nenhum suspeito foi detido e detalhes específicos da investigação não serão divulgados, conforme decisão das autoridades. O Corpo de Bombeiros Militar afirmou que continua atuando em apoio à Polícia Civil e está à disposição para quaisquer diligências adicionais que se fizerem necessárias.
Dante Michelini era membro de uma das famílias mais tradicionais e influentes do Espírito Santo. Inclusive, o avô dele, de mesmo nome, Dante Michelini, dá nome a uma das principais avenidas de Vitória. Ao longo dos anos, a família se recusou a falar sobre o assunto com a imprensa em diversas ocasiões.