Advogada argentina enfrenta processo por injúria racial após episódio em bar carioca
A advogada e influenciadora argentina Agostina Paez foi formalmente indiciada pelo crime de injúria preconceituosa racial pela 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha), no Rio de Janeiro. O caso ocorreu após ela realizar gestos racistas, imitando macacos, contra funcionários de um estabelecimento em Ipanema, na Zona Sul da cidade.
Detalhes do inquérito e medidas judiciais
O delegado titular Diego Salarini confirmou ao g1 que o relatório final do inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público. Agostina Paez agora responde por um crime equiparado ao racismo, com pena que pode variar de dois a cinco anos de prisão, além do pagamento de multa.
Além disso, uma amiga da advogada também foi indiciada, desta vez por falso testemunho em sede policial, complicando ainda mais a situação jurídica das envolvidas.
Defesa e contradições nas versões
Em contato com a reportagem, Agostina Paez negou veementemente as acusações, afirmando: "Não sou racista". Ela alegou que teria sido provocada pelos atendentes do bar, que fizeram gestos obscenos e tentaram enganá-la no pagamento da conta.
Apesar disso, a influenciadora admitiu que errou em sua reação, mas justificou que os gestos foram uma "brincadeira" direcionada às amigas, e não aos funcionários. Agostina ainda afirmou desconhecer que tais atitudes constituíam crime no Brasil.
Evidências e desdobramentos recentes
Contudo, a versão apresentada por Agostina Paez é fortemente contestada por vídeos que circularam nas redes sociais. Nas imagens, é possível vê-la chamando um funcionário de "mono" – termo em espanhol que significa macaco e é amplamente reconhecido como ofensa racial – e imitando explicitamente um primata.
Como parte das medidas cautelares determinadas pela Justiça, a advogada instalou uma tornozeleira eletrônica na quarta-feira anterior à divulgação do indiciamento. O episódio original ocorreu no dia 14 de janeiro, mas ganhou novos contornos com o registro de ocorrência feito pela própria Agostina na terça-feira, por ameaças e injúrias que alega ter sofrido após o caso.
Atualmente, o caso também está sob investigação da Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat), reforçando a gravidade e a repercussão internacional do incidente.