
Era pra ser mais um dia comum, sabe? Aquele ritmo conhecido de abrir covas, cuidar do silêncio dos que partiram. Mas na quarta-feira, 28 de agosto, o cemitério Parque da Saudade, em Jaboatão dos Guararapes, virou palco de uma cena que ninguém — absolutamente ninguém — esperava encontrar.
Por volta das 7h da manhã, o coveiro chegou para seu turno. O sol ainda se arrumava no céu, a rotina pesada do ofício seguia seu curso. Foi então que ele viu. Algo — ou alguém — totalmente fora do lugar. Lá estava um homem, sentado. Quieto. No chão de terra, bem na borda de uma cova que havia sido escavada no dia anterior. A posição era bizarramente casual, como se ele estivesse apenas descansando, contemplando o vazio daquele buraco.
Aproximou-se, chamou. Nada. O silêncio foi a única resposta. Foi aí que o calafrio percorreu sua espinha. Aquele não era um homem descansando. Era um corpo. Sem vida.
Uma imagem que vai ficar na memória, com certeza. O homem, moreno, aparentando ter entre 40 e 50 anos, vestia uma camisa social azul e calça social preta. Roupas que sugeriam talvez um dia de trabalho, uma ida a algum compromisso. Não roupas para se encontrar sentado à beira de uma sepultura.
A Polícia Civil foi acionada rapidamente. O local, é claro, foi isolado. Períticos do Instituto de Criminalística (IC) mergulharam na cena, coletando cada mínimo detalhe que pudesse contar uma parte da história. Porque é disso que se trata agora: descobrir que história é essa. Quem era esse homem? O que o levou até ali, naquela posição tão estranha? Como ele morreu? E, a pergunta que não quer calar: como ele foi parar ali?
Não havia documentos com ele. Nada que pudesse identificá-lo na hora. A ausência de sinais de violência visível só aumenta o quebra-cabeça. A causa da morte? Só o laudo pericial, que ainda vai sair, poderá dizer. Até lá, é um mistério completo.
O que se sabe até agora?
- Local: Cemitério Parque da Saudade, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife.
- Data/Horário: Manhã de quarta-feira (28/08), por volta das 7h.
- Vítima: Homem, entre 40 e 50 anos, vestindo roupas sociais.
- Estado: Encontrado já sem vida, sentado na borda de uma cova.
- Investigacao: Polícia Civil na ativa, aguardando resultados periciais.
O delegado plantonista da 1ª Delegacia de Homicídios (DH) deu o pontapé inicial no inquérito. A sensação é que falta muito chão — e muitas respostas. A população local, como era de se esperar, não fala em outra coisa. É aquele mistério que mexe com todo mundo, que faz a gente pensar na finitude das coisas, sabe? E, claro, gera uma enxurrada de perguntas sem resposta.
Enquanto os peritos trabalham e a polícia corre atrás de pistas, o caso segue envolto numa névoa espessa de dúvidas. Um daqueles episódios que a gente só vê em filme, mas que, desta vez, era dolorosamente real.