FBI e Casa Branca investigam série de mortes e desaparecimentos de cientistas nucleares e aeroespaciais nos EUA
Uma série de mortes e desaparecimentos de cientistas ligados a pesquisas nucleares e aeroespaciais nos Estados Unidos passou a mobilizar o FBI, a Casa Branca e o Congresso americano. Ao menos dez profissionais com acesso a informações sensíveis morreram ou sumiram nos últimos anos, em episódios de circunstâncias variadas e ainda sem conexão comprovada, segundo contagem da emissora CNN.
Investigação oficial e alerta das autoridades
Diante da repercussão, o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos anunciou a abertura de uma investigação para apurar se há algum elo entre os casos. A Casa Branca também acompanha o tema. Segundo o governo, o monitoramento foi intensificado na última semana, após o aumento da repercussão dos episódios nas redes sociais.
O FBI afirmou, na segunda-feira, 20, que está "liderando esforços para buscar possíveis conexões", em cooperação com o Departamento de Defesa, o Departamento de Energia e autoridades locais. A NASA disse que colabora com as apurações e ressaltou que, até o momento, não há indícios de ameaça à segurança nacional ligada à agência.
Casos que chamaram a atenção
Os episódios que chamaram a atenção das autoridades envolvem desde homicídios até desaparecimentos sem sinais de crime, e ocorreram em diferentes estados, ao longo dos últimos anos. Entre os casos mais recentes está o do físico Nuno F. G. Loureiro, professor do MIT e referência em pesquisas de fusão nuclear. Ele foi morto a tiros em 2025, em frente à própria residência, em Massachusetts, por um atirador que também abriu fogo em um campus universitário próximo.
Outro episódio que mobiliza investigadores é o desaparecimento do major-general aposentado William Neil McCasland, que já liderou pesquisas avançadas da Força Aérea americana. Ele foi visto pela última vez em fevereiro, ao sair de casa, no Novo México, deixando para trás celular, óculos e dispositivos pessoais. Meses depois, não há qualquer pista sobre seu paradeiro.
Também seguem sem solução os desaparecimentos de profissionais ligados ao Laboratório Nacional de Los Alamos, um dos principais centros de pesquisa nuclear dos Estados Unidos. Entre eles está Melissa Casias, vista pela última vez caminhando próxima a uma rodovia em 2025, e Anthony Chavez, cujo sumiço não apresentou sinais de crime, apesar de buscas extensivas.
Na Califórnia, a engenheira aeroespacial Monica Reza desapareceu durante uma trilha em uma área de floresta em Los Angeles, também em 2025. O caso permanece sem explicação. Já a morte de Michael David Hicks, cientista com quase 25 anos de atuação no setor espacial, é apontada por familiares como decorrente de problemas de saúde. Parentes contestam qualquer tentativa de associar o caso a investigações mais amplas.
Especulações e posicionamentos políticos
A sequência de episódios alimentou especulações, inclusive nas redes sociais, sobre uma possível ação coordenada contra especialistas em áreas estratégicas. Até o momento, porém, nenhuma evidência concreta sustenta essa hipótese.
O deputado republicano James Comer, que preside o Comitê de Supervisão, afirmou que os casos levantam "questões sérias" e podem representar risco à segurança nacional. Já o democrata James Walkinshaw defende a investigação, mas adota tom mais cauteloso. Segundo ele, os Estados Unidos contam com milhares de cientistas no setor, o que reduz a probabilidade de impacto estratégico a partir de casos isolados.
O presidente Donald Trump classificou o tema como "muito sério", mas afirmou esperar que os episódios sejam coincidência. A Casa Branca informou que trabalha em conjunto com diferentes agências para analisar os casos e identificar possíveis padrões. Segundo o diretor do FBI, Kash Patel, a investigação busca verificar eventuais conexões com acesso a informações confidenciais ou até a atuação de agentes estrangeiros.



