Chinês é condenado a prisão no Quênia por tentar contrabandear mais de 2.200 formigas vivas
Chinês preso no Quênia por contrabando de 2.200 formigas vivas

Chinês recebe pena de prisão por contrabando de formigas raras no Quênia

Um cidadão chinês foi condenado a um ano de prisão e multado em 1 milhão de xelins quenianos, equivalente a aproximadamente R$ 40 mil, por um tribunal de Nairóbi, no Quênia. A sentença foi proferida nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, pela juíza Irene Gichobi, após o réu, Zhang Kequn, tentar contrabandear mais de 2.200 formigas vivas para a China.

Detenção no aeroporto e apreensão dos insetos

Zhang Kequn foi detido em 10 de março no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi, quando tentava embarcar com os insetos escondidos em tubos de ensaio dentro de sua bagagem. Entre os animais apreendidos, 1.948 eram da espécie Messor cephalotes, formigas altamente valorizadas por colecionadores e que podem alcançar preços de até US$ 220, cerca de R$ 1.000 cada, nos mercados europeu e asiático.

Inicialmente, o acusado foi indiciado por tráfico ilegal de animais silvestres e conspiração, crimes que poderiam resultar em até sete anos de reclusão. Após a rejeição da acusação de conspiração, Zhang mudou sua declaração para culpado, o que influenciou o desfecho do processo.

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Juíza destaca necessidade de punição exemplar

Ao proferir a pena, a juíza Irene Gichobi classificou Zhang como uma pessoa "não totalmente honesta" e sem arrependimento, ressaltando a importância de uma punição exemplar. Ela mencionou o "número crescente de casos envolvendo grandes quantidades de formigas e os efeitos ecológicos negativos" associados ao comércio ilegal desta espécie, enfatizando os riscos ambientais.

Após cumprir a sentença, Zhang será deportado para a China. Ele tem um prazo de 14 dias para recorrer da decisão, e seu advogado já confirmou que o recurso será apresentado, indicando que o caso pode ainda ter desdobramentos jurídicos.

Investigações revelam rede de compra e venda

As investigações do caso apontaram que Zhang comprou os insetos do queniano Charles Mwangi por 10 mil xelins, aproximadamente R$ 400, a cada 100 formigas. Mwangi também foi indiciado, mas responde ao processo em liberdade e nega as acusações, o que sugere uma possível rede de tráfico envolvendo múltiplos indivíduos.

Este não é um incidente isolado. Em maio de 2025, um tribunal queniano condenou quatro pessoas – dois belgas, um vietnamita e um queniano – a um ano de prisão ou multa equivalente após a apreensão de milhares de formigas rainhas vivas destinadas a colecionadores na Europa e na Ásia. Na ocasião, dois adolescentes belgas foram detidos com quase 5 mil formigas armazenadas em pequenos tubos de ensaio, evidenciando a escala do problema.

O caso de Zhang Kequn destaca os desafios globais no combate ao tráfico de animais silvestres, especialmente de espécies como formigas, que podem causar danos ecológicos significativos quando removidas de seus habitats naturais. As autoridades quenianas têm reforçado a fiscalização em aeroportos e fronteiras para coibir essas atividades ilegais, visando proteger a biodiversidade local.

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