Líder de esquema milionário de fraudes bancárias contra a Caixa é preso pela PF em Piracicaba
Líder de fraudes milionárias contra Caixa é preso pela PF

Líder de esquema milionário de fraudes bancárias contra a Caixa é preso pela PF em Piracicaba

Thiago Branco de Azevedo, apontado como o principal articulador de um esquema nacional de fraudes bancárias milionárias contra a Caixa Econômica Federal, foi preso após se apresentar na delegacia da Polícia Federal (PF) de Piracicaba (SP) na manhã desta sexta-feira (27). O suspeito estava foragido desde quarta-feira (25), quando a Operação Fallax prendeu 15 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Esquema sofisticado com empresas fantasmas e laranjas

De acordo com as investigações da PF, o grupo criminoso liderado por Thiago atuava por meio da abertura de contas com empresas fictícias, utilizando nomes de laranjas e até de pessoas que nem existiam. O delegado Henrique Souza Guimarães, da Polícia Federal, revelou à EPTV que "chegou a criar uma pessoa fictícia, que não existe. Foi criada no papel só para ser utilizada como laranja".

O esquema envolvia a cooptação de funcionários de instituições financeiras, que inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento.

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Luxo e conexões com facção criminosa

Thiago Branco de Azevedo, descrito pelo delegado como "uma pessoa articulada", tinha vida de luxo e costumava dar festas para cantores sertanejos, conforme informações da PF. Além disso, a investigação apurou que ele repassava as empresas de fachada criadas por ele para uma facção criminosa de São Paulo, atuando na lavagem de capitais para a organização.

A audácia do grupo era tamanha que, segundo o delegado, "na criação de empresas de forma fraudulenta, foi usado o endereço da Justiça Federal em São Paulo, na Vila Paulista, como se fosse a sede dessa empresa".

Operação Fallax e alcance nacional

A Operação Fallax cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. Entre os alvos estão:

  • Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor
  • Luiz Rubini, ex-sócio do Grupo Fictor
  • Gerentes de bancos, contadores e laranjas

A investigação identificou aproximadamente 172 empresas que conseguiram obter financiamentos em várias instituições financeiras, com valores que ultrapassam R$ 47 milhões. As fraudes investigadas podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões.

Prisões e apreensões em múltiplas cidades

Além de Piracicaba, a operação atingiu diversas cidades do interior paulista:

  1. Americana (SP): Apreensão de computadores, documentos e celulares em imóvel de luxo no Condomínio Terras do Imperador
  2. Limeira (SP): Prisão de homem de 41 anos na Fazenda Itapema, com apreensão de celulares e máquinas de cartão
  3. Rio Claro (SP): Buscas no Jardim América resultaram na apreensão de notebook, pen drive e munições
  4. Santa Bárbara d'Oeste, Itapira e outras cidades também receberam mandados

Consequências jurídicas e medidas cautelares

Os investigados poderão responder por crimes de organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, além da quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.

Posicionamento das instituições

Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou que "atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias". A instituição destacou suas políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, alinhadas às melhores práticas de mercado.

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As defesas dos investigados se manifestaram através de notas, indicando que prestarão esclarecimentos às autoridades assim que tiverem acesso ao conteúdo da investigação. A defesa de Thiago Branco de Azevedo não foi localizada pela reportagem.