Justiça Federal nega ação de Damares contra enredo de Lula na Acadêmicos de Niterói
Justiça nega ação de Damares contra enredo de Lula no carnaval

Justiça Federal nega ação de Damares contra enredo de Lula na Acadêmicos de Niterói

O juiz Francisco Valle Brum, da 21ª Vara Federal do Distrito Federal, rejeitou o seguimento da ação popular movida pela senadora Damares Alves contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói. A agremiação prepara um enredo que homenageia o presidente Lula no carnaval do Rio de Janeiro, despertando reações acaloradas de políticos da oposição.

Decisão judicial e argumentos da ação

Na decisão, assinada na terça-feira (3), o magistrado afirmou que não é de competência da Justiça Federal tratar do caso, determinando que a ação seja enviada para a Justiça do Distrito Federal. Damares Alves alegava que o enredo da escola representaria uma forma de campanha antecipada para a reeleição do atual presidente.

A senadora também argumentou que a Acadêmicos de Niterói, ao fazer referências negativas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, "aprofundou sua preferência política". Em sua petição, ela declarou: "Esse ato passou dos limites da simples homenagem e liberdade artística própria do carnaval".

Apesar dos argumentos e do pedido de liminar, a ação deverá ser reiniciada agora na Justiça do Distrito Federal. Além da ação popular, Damares Alves apresentou à Procuradoria-Geral Eleitoral uma representação para que o órgão avalie possível campanha antecipada do petista no carnaval do Rio. A denúncia ainda será analisada pelo Ministério Público Federal.

Outros processos e envolvimento do TCU

Outro processo, movido pelo vereador de Niterói Allan Lyra (PL), também teve negado o pedido de liminar pela Justiça do Rio de Janeiro. O parlamentar pedia que a 5ª Vara Cível da Comarca de Niterói determinasse a devolução dos R$ 4 milhões de subvenção pagos pela Prefeitura da cidade à escola.

O juiz Almberto Republicano de Macedo Junior entendeu não caber a decisão urgente, concedendo prazo de 15 dias para que a Prefeitura de Niterói e a escola de samba se manifestem nos autos. Em nota, a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur) esclareceu que o apoio financeiro às escolas do município considera critérios técnicos, objetivos, impessoais e isonômicos, sem avaliação sobre os enredos.

O caso também chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU). O auditor Gregório Silveira de Faria recomendou que o governo federal não pague o valor de R$ 1 milhão previsto em acordo de cooperação entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para a Acadêmicos de Niterói.

A recomendação atende a um pedido de seis deputados federais do partido Novo, que alegam desvio de finalidade no uso de recursos públicos. Os parlamentares pedem que o TCU impeça a apresentação do samba ou exija a devolução dos valores repassados pela Embratur, caso a escola mantenha o desfile com recursos próprios. Eles também requerem a responsabilização de gestores e autoridades envolvidas, com aplicação de sanções previstas em lei. Ainda não há prazo para julgamento do processo.

Posicionamentos das instituições envolvidas

Procurada, a Acadêmicos de Niterói não quis se manifestar sobre as críticas. A Embratur informou que prevê a destinação igualitária de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro e reiterou que não interfere na escolha dos sambas-enredo, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações.

A instituição disse ainda que não foi formalmente notificada pelo TCU, mas está à disposição para prestar esclarecimentos. Além da verba da Embratur, as escolas de samba receberam outros repasses: o governo do estado destinou R$ 40 milhões e a prefeitura do Rio, R$ 25 milhões, valores divididos igualmente entre as agremiações.

A Liesa afirmou que não recebeu qualquer notificação, destacando que é uma entidade privada, sem fins lucrativos e que obedece diretrizes impostas pelos órgãos públicos. A prefeitura de Niterói repassou R$ 4 milhões para a Acadêmicos de Niterói e outros R$ 4 milhões para a Unidos do Viradouro, as duas escolas da cidade que integram o Grupo Especial.

Em sua nota, a Neltur enfatizou: "A subvenção pública não possui caráter nominal, devendo contemplar toda e qualquer agremiação que atenda aos requisitos legais e integre o respectivo grupo, sem favorecimentos ou discriminações. As escolhas de sambas-enredo e homenagens inserem-se no campo da liberdade de expressão artística e cultural, não sendo objeto de análise ou interferência por parte da Lei."